OPINIÃO

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Enem expõe fragilidade das escolas públicas

Da Redação

| Edição de 06 de outubro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), divulgado na terça-feira, aumenta a polêmica sobre a reforma do ensino médio proposta pelo governo Michel Temer (PMDB). O desempenho da rede pública foi muito inferior ao alcançado pelas escolas particulares. Isso reforça a tese de refundação do ensino médio.

Das 100 escolas com maior média nas provas objetivas no país, 97 são particulares. As outras três são instituições federais. Esse fenômeno se repete na região. As 14 melhores notas são de estabelecimentos de ensino privados.

O Inep lembra que o desempenho dos estudantes no Enem pode ser afetado por uma série de elementos, incluindo o padrão de vida das famílias dos estudantes, a formação de professores, o número de alunos por escola e também a seleção de alunos.

Muitas escolas particulares, é verdade, usam o Enem como marketing. Por isso, selecionam os melhores alunos para o exame, visando garantir uma boa posição no ranking e, dessa forma, conseguem “vender” a imagem de um colégio mais completo e superior aos demais.

Apesar disso, é inegável o abismo que existe em relação às escolas públicas. Recentemente, o governo federal editou uma medida provisória que visa reformular o ensino médio. Com base no mau desempenho dos estudantes, o Ministério da Educação decidiu priorizar português, matemática e inglês, tornando optativas educação física, artes, filosofia e, sociologia. Além disso, o ensino médio adotaria um formato optativo, no qual o estudante poderia escolher o caminho de formação, seja profissionalizante ou teórico.

A proposta gerou polêmica pela falta de debate e também por elitizar o ensino. Afinal, a tendência é de que as classes mais baixas partam para o ensino profissionalizante, ampliando as diferenças sociais e de formação.

É algo complexo. Os críticos têm total razão. A reforma do ensino médio foi mal colocada. Por outro lado, uma mudança se faz absolutamente necessária. O formato atual é falho e os alunos são mal formados.

O caminho é discutir melhor o tema e buscar uma solução conjunta. No Paraná, a Secretaria de Educação fará seminários para debater as mudanças. No dia 13, serão realizadas discussões simultâneas nas 32 regionais da Educação no Paraná, com a participação de toda a comunidade - pais, estudantes, grêmios estudantis, professores, diretores, pedagogos e técnicos da Secretaria da Educação.

O Paraná age corretamente. O resultado do Enem é mais um indicador da deficiência do ensino médio. Algo precisa ser feito, no entanto, sem elitizar e fragilizar a formação. A reforma precisa ser para melhor.