Com pouco mais de 100 dias no cargo, o presidente interino Michel Temer (PMDB) ainda está muito longe de resolver a crise econômica que assola o país. Prestes a ser confirmado no cargo, com o início do julgamento final da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) no Senado, Temer precisa mostrar a que veio e apresentar alternativas que coloquem o país no rumo do crescimento. É claro que a oficialização do impeachment – que está praticamente sacramentado- é fundamental para que o peemedebista posta promover, com legitimidade, reformas mais impactantes.
No entanto, em mais de 100 dias, muito pouco foi feito efetivamente para mudar a realidade, apesar de todo otimismo com essa mudança de comando do país, a partir da incapacidade de gestão e falta de comprometimento no combate à corrupção da petista.
O desemprego, por exemplo, continua avançando. O Brasil encerrou 94.724 vagas formais de emprego em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados na última quinta-feira pelo Ministério do Trabalho. O saldo negativo é parecido com o mês anterior. Em junho, o Brasil já havia fechado 88 mil empregos. No acumulado do ano, o saldo negativo chega a 623.520.
Na região, a situação segue preocupante. Apucarana e Arapongas, que concentram o maior número de empresas, voltaram a demitir neste início de segundo semestre, após uma tímida recuperação no começo do ano. As duas cidades fecharam, juntas, 613 postos de trabalho. O setor industrial é o que mais demite.
Em âmbito nacional, é preciso reconhecer que está ocorrendo uma desaceleração na extinção de vagas. Isso mostra uma pequena melhora na economia. No entanto, isso é muito pouco diante da grave crise que assola o país. Além da indústria, o setor de serviço também está sofrendo.
A partir da confirmação do impeachment, Michel Temer e sua equipe econômica precisam retribuir efetivamente o otimismo com a saída de Dilma Rousseff. É preciso encontrar maneiras de fazer o país voltar a crescer e gerar empregos. É claro que a herança recente é terrível, mas não resta outra saída a não ser arregaçar as mangas e propor soluções imediatas para tirar o Brasil desse atoleiro. É fundamental que ações eficazes sejam apresentadas à sociedade para fortalecer a indústria e garantir a geração de novos postos de trabalho. Esses primeiros 100 dias de governo foram truncados, o que é natural com as discussões políticas no Congresso, mas com a confirmação do impeachment não haverá mais desculpas. É hora de fazer esse governo deslanchar depois de um começo de tantas dificuldades, dúvidas e apreensões.