Mais uma empresa da região entra no noticiário de crise. A Móveis Romera, sediada em Arapongas, demitiu nesta semana 500 funcionários. A medida dura e, segundo a própria presidente da empresa, sem precedentes na história da companhia, foi a saída encontrada para manter as portas abertas e salvar o emprego de outros 3,5 mil funcionários.
A crise na Romera está longe de ser isolada. Faz parte de um contexto crescente e persistente de números negativos, queda de produção e vendas e estagnação econômica. No parque industrial de Arapongas - uma referência regional -, os impactos se refletem em empresas fechando cargos e portas. Quatro do ramo moveleiro encerraram atividades neste ano.
Essa é a face de um momento econômico anunciado com mais de um ano de antecedência - quem acompanha o noticiário econômico sabe disso - , que o governo foi completamente impotente para evitar ou menos minimizar seus impactos.
Ainda agora, os ajustes estão sendo feitos e sentidos apenas pela iniciativa privada, essa sim obrigada a cortar a própria carne, e por consequência, pela população, que se adequa a uma nova realidade de desemprego e/ou emprego escasso. A classe C voltou
Do novo governo federal, espera-se muito, mas vê-se pouco. Até agora, a equipe Temer não tem conseguido aliar o discurso à prática. Anunciou-se redução dos gastos públicos, mas novos cargos foram criados, ministérios foram cortados e depois meio que voltou-se atrás. Anteontem, na divulgação da taxa Selic causou mal estar o comentário do o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, expondo Michel Temer esperava uma redução da taxa de juros, o que não ocorreu e gerou um comunicado do presidente interino sobre a autonomia do Banco Central. São posicionamentos que geram incerteza a respeito do plano econômico.
Na verdade, espera-se mais do governo. E o momento para reformar e ajustar é agora. Várias pesquisas apontam um retorno, ainda tímido é verdade, da confiança dos setores produtivos na retomada do crescimento.
Divulgado anteontem, Índice de Confiança do Empresário do Comércio, registrou em julho a primeira taxa de crescimento anual desde 2013. O índice que mede a confiança dos empresários da indústria também vem seguindo a mesma linha. A hora agora é de trabalhar.
A crise veio, se instalou e isso é fato. Mas para mudar o rumo disso, é preciso dar um passo além. É o que a classe produtiva vem fazendo, driblando e enfrentando os problemas. Nesta semana, a Tribuna divulgou duas campanhas das associações comerciais de Apucarana e Arapongas de fomento do varejo. O caminho é esse, organização e trabalho.
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