OPINIÃO

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Estudantes são os maiores prejudicados por protestos

Da Redação

| Edição de 20 de outubro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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É compreensível a preocupação de pais e alunos em relação à perda de aulas nas escolas estaduais do Paraná. A paralisação do ano letivo com as ocupações de colégios e a greve dos professores ocorre num momento sensível para muitos estudantes, que estão se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em novembro e também para vestibulares em instituições de ensino superior públicas.

Cerca de cem mil alunos deverão fazer o Enem somente no Paraná e perder os conteúdos nesta reta final de preparação pode comprometer o desempenho no exame.

Por isso, é preciso buscar uma solução rapidamente para esse impasse. As ocupações já alcançaram o seu objetivo de protestar contra a reforma do ensino médio proposta pelo governo federal e os manifestantes precisam agora analisar se é ou não a hora de desocupar as escolas.

A greve dos professores precisa estar baseada apenas em critérios orçamentários ou em acordos pré-estabelecidos com o governo estadual. É inaceitável que qualquer viés político ou ideológico interfira nas negociações.

É preciso levar em conta também a situação financeira nacional. A maioria dos estados sequer paga em dia os salários do funcionalismo, ao contrário do Paraná, que está cumprindo com suas obrigações a cada início de mês.

É necessário encontrar um meio termo para evitar prejuízos a esses milhares de estudantes. Até porque a Secretaria de Estado da Educação já informou que será necessário fazer a reposição das aulas perdidas para cumprir os 200 dias letivos e as 800 horas/aula no ano determinadas pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

Como o calendário letivo deste ano vai até 21 de dezembro, devido às duas paralisações do ano passado – que duraram ao todo 73 dias -, as reposições deverão ocorrer em fevereiro de 2017.

Cada escola terá que elaborar uma proposta de calendário de reposição, conforme o número de dias que ficou parada. Os calendários precisam ser encaminhados aos Núcleos Regionais de Educação (NREs), para análise e posterior homologação. E esse trabalho já gerou muita dor de cabeça neste ano e agora precisará ser refeito com a nova greve dos professores e também com as ocupações.

É fundamental, portanto, muito diálogo para chegar a um consenso em ambos os casos. A decisão precisa levar em conta o que é melhor para os estudantes de modo geral.