A população brasileira está envelhecendo, mas o país não está preparado para atender os idosos com a dignidade que eles merecem. Os desafios são imensos na maioria das áreas, principalmente na saúde.
Um estudo divulgado na segunda-feira, Dia Mundial do Idoso, aponta que três a cada quatro idosos dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) e mais de dois terços dos entrevistados têm pelo menos uma doença crônica. A informação é de uma pesquisa do Ministério da Saúde feita em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A principal doença apontada é a hipertensão, seguida por problemas na coluna, artrite, depressão e diabete. Apenas 30% responderam que não possuem doenças crônicas.
A pesquisa também constatou que 43% dos entrevistados têm medo de cair devido a defeitos nas calçadas e 36% têm medo de atravessar a rua. Em relação à segurança, um terço dos entrevistados definiram a vizinhança em que vivem como “muito insegura” e só 4% consideraram “muito segura”. Esses últimos dados mostram também que, além da saúde, a mobilidade urbana e a segurança são questões que preocupam a terceira idade e deve receber maior atenção do poder público.
Na região, o número de idosos vem crescendo. São quase 67 mil pessoas com mais de 60 anos nos 26 municípios do Vale do Ivaí mais Arapongas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os idosos representam cerca de 15% do total da população regional, acima das médias nacional e estadual, que são de 13,5% e 9,2%, respectivamente.
No entanto, há alguns municípios com índices bem superiores. É o caso de Kaloré, onde 21,8% da população é idosa; Lidianópolis (20,7%) e Borrazópolis (20,1%). Em Apucarana, o índice é 13,8% e em Arapongas de 12,8%.
Os números do envelhecimento e a pesquisa do Ministério da Saúde precisam servir de reflexão para o poder público. É fundamental preparar o país para essa mudança no seu perfil demográfico. A dependência dos idosos do SUS mostra que a saúde pública necessita de investimentos maciços, caso contrário a situação ficará ainda mais caótica. A segurança e a mobilidade são outros problemas graves, que exigem uma intervenção.
O Estatuto do Idoso, que completa 15 anos, representou uma grande conquista, no entanto, precisa ser colocado em prática. Para isso, é preciso fiscalização para que ocorra sua real implantação. O Brasil tem 30 milhões de idosos e precisa se estruturar para atender essa população, já que os indicadores de longevidade vêm crescendo ano a ano.