OPINIÃO

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Feliz ano velho

Por Vanderlei C. Sartori Junior, advogado trabalhista e secretário municipal em Arapongas

| Edição de 09 de janeiro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Desde que me conheço por gente nunca vi um ano nascer tão velho e doente.

O que estão fazendo com 2016 é um crime. Tentaram cometer um aborto, mas como o sistema solar não é atingido pelo pessimismo dos economistas e das oposições ou pelas manobras ardilosas de alguns endinheirados, o ano nasceu e vai seguir seu curso.

Não é nesse prognóstico desastroso em que acredito. Apenas usei ironia para iniciar uma reflexão sobre a quem interessa tanta previsão ruim.

E é principalmente no campo da economia que quero propor a reflexão. A quem serve tanto pessimismo? Aos trabalhadores, que veem seus empregos indo para o ralo e os salários sendo corroídos pela inflação, obviamente não. Aos setores produtivos da economia (indústria, comércio, serviços) também não, pois na crise as vendas caem e os lucros despencam.

A meu ver são três os grupos beneficiados pela crise econômica e, portanto, patrocinadores e interessados do “quanto pior melhor”.

O primeiro é composto por banqueiros e por grandes investidores (leia-se especuladores) das bolsas de valores e do mercado financeiro. Estes sempre têm informações privilegiadas ou até mesmo as “fabricam” para, sem produzir absolutamente nada, obterem lucros escandalosos. Veja-se os balanços dos bancos, que apesar da redução do crédito, aumentam cada vez mais seus ganhos. Falo dos bancos mas tem muito empresário que, na qualidade de “investidor”, aplica percentual significativo de seu capital na especulação financeira, deixando sua empresa à míngua, fechando unidades e postos de trabalho para buscar no porto seguro do nosso mercado financeiro os tais lucros astronômicos.

O segundo grupo é dos políticos que estão na oposição, seja na esfera municipal, estadual ou federal. Para eles a crise é oportunidade. Para chegar ao poder é até compreensivo que sejam ácidas suas análises econômicas, suas críticas ao “status quo”, pois caso contrário perderiam a própria razão de ser. Obviamente que não estou aqui legitimando a postura antiética de certos políticos que trabalham pelo “quanto pior melhor”. Apenas concluo, sem falso moralismo, que as dificuldades do adversário é a oportunidade do opositor.

Por fim, tem o terceiro grupo que é a mídia. Boa parte de seus integrantes vê na crise econômica, nos desgovernos da política, nas tragédias e dramas pessoais, meios para subir o “ibope” e vender mais. É certo que a massa tem uma atração pelas notícias ruins e que as boas quase nunca fazem sucesso.

Querer ganhar mais dinheiro não é pecado, afinal, vivemos no capitalismo. Mas entendo que a aposta da mídia deveria ser no setor produtivo, onde 99% da população ganharia com mais empregos, salários, consumo, produção, vendas e lucros. Só os tais especuladores e as oposições perderiam. Talvez aí esteja o verdadeiro nó.

Mas acredito na vitória da ética e que 2016 será um ano “novo”, sadio e bem melhor do que apontam as previsões. O pessimismo só alimenta a crise que, como já dito, traz benefícios a uma pequena casta.