OPINIÃO

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Gestos de honestidade não deveriam surpreender

Da Redação

| Edição de 06 de julho de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Em um país marcado pela corrupção e pelos desvios bilionários de recursos públicos, o gesto de honestidade do apucaranense Vitor Batista, de 83 anos, chama atenção. Ele procurou na última quarta-feira a 17ª Subdivisão Policial (SDP) para entregar um mostruário de peças de prata. As joias estão avaliadas em R$ 6 mil. O aposentado encontrou o mostruário na rua, quando caminhava com a esposa Sebastiana Lacerda Batista, e não sossegou até entregar as peças na delegacia. 

São ações como essa que renovam a esperança no país. No entanto, esses gestos não deveriam nos surpreender tanto e, sim, fazer parte da rotina da população. Infelizmente, isso não acontece.  
A corrupção é um problema presente não apenas em Brasília, mas também nas ações do cotidiano. São pessoas que furam a fila, estacionam em local proibido, compram produtos piratas, não devolvem o troco a mais, que oferecem um “cafezinho” para policiais ou agentes de trânsito para não receberem multas ou que usam sinal de TV a cabo sem pagar. 
São deslizes morais e éticos que fazem parte da rotina da população. Muitas pessoas que agem dessa forma, contraditoriamente, são as primeiras a reclamar do governo corrupto e dos desvios de recursos. No entanto, corrompem diariamente e ajudam a perpetuar essa nefasta faceta brasileira. 
É claro que muitos políticos levam para a vida pública esse comportamento. E o preço é altíssimo para os cofres públicos. A Organização das Nações Unidas (ONU) apontou recentemente em estudo que o Brasil perde cerca de R$ 200 bilhões com esquemas de corrupção por ano. Apenas na Operação Lava Jato, no caso da Petrobras, os desvios chegam a R$ 40 bilhões. 
O Brasil não pode mais tolerar nenhum tipo de corrupção, da mais “banal” a que gera prejuízos bilionários ao país. É preciso mudar o comportamento, fomentando gerações que pensam e agem diferente. Nesse sentido, a educação deve figurar sempre em primeiro lugar. O famoso “jeitinho brasileiro” precisa ser extirpado e isso será possível com conhecimento. 
O brasileiro precisa avançar, essa é a verdade. É hora de virar a página e perceber que a corrupção é um atraso, que prejudica a totalidade de uma nação. 
Nesse contexto, precisamos de mais pessoas como seu Vitor Batista, que não titubeou ao encontrar o mostruário de prata e decidiu entregá-lo à polícia. Ele, certamente, não é o único. Há inúmeras pessoas que também valorizam a honestidade e sabem da sua importância na sociedade.