Após 10 dias de paralisação e depois de acordos anunciados, tanto pelo governo federal quanto estadual, que foram ignorados pelos caminhoneiros, os bloqueios foram encerrados ontem na região após uso da força policial do Estado que, até então, apenas monitorava de longe as manifestações. Já na tarde de ontem, os postos de Apucarana e outros municípios começaram a receber, na tarde de ontem, carregamentos de combustíveis.
É prematuro, entretanto, estimar a normalização do abastecimento - não apenas de combustível, mas dos outros setores afetados pela greve dos caminhoneiros, caso das indústrias, alimentos, entre outros.
Apesar da greve não ter sido dada como encerrada, alguns pontos fundamentais podem ser tirados desses dias em que o Brasil vem caminhando a passos lentos. O mais óbvio é que o governo precisa encontrar uma solução para a questão dos combustíveis. É sintomático que mesmo sofrendo com o desabastecimento dos tanques e dos supermercados, a população siga em apoio a manifestação dos caminhoneiros.
Até lideranças ligadas ao governo vem questionando publicamente a política de preços adotada pela Petrobras. Se não falam em mudar, argumentam que é preciso dar mais transparência ao processo.
A gasolina, energia elétrica e gás de cozinha há tempos desbancaram os alimentos como itens de maior pressão na inflação. Os excessivos aumentos no gás de cozinha - cujo preço teve reajuste de quase 60% no segundo semestre do ano passado - obrigaram o governo a adotar uma nova metodologia de composição.
Ontem, em plena crise dos combustíveis e com o país em ebulição, a Petrobras anunciou uma elevação no preço da gasolina nas refinarias. O preço do litro da gasolina subirá 0,74%, saindo das refinarias a R$ 1,9671. Ontem, o combustível estava sendo vendido a R$ 4,69 em Apucarana.
Basta fazer a conta para saber que outra discussão urgente que deveria ser colocada em pauta no Brasil é a chamada carga tributária. Bandeira desde sempre da classe produtiva, e com uma reforma em andamento que nunca avança por falta de interesse do governo.
Nesse contexto, é preciso citar, ainda, a necessidade urgente de discutir a dependência do modal rodoviário no sistema logístico nacional. Espera-se que a manifestação dos caminhoneiros não deixe apenas prejuízos, mas seja um ponto de ruptura para algumas políticas de governo que provaram que não estão no caminho certo.
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