Diante dos atos de barbárie ocorridos recentemente em prisões do Norte e Nordeste do Pais, em que cabeças foram decepadas e enfileiradas em seus pátios, numa luta encarniçada entre facções criminosas, em busca, certamente, de hegemonia e de espaços; e mais as mortes ocorridas no Estado do Espírito Santos, ocasionadas, provavelmente, pelo fato de o governador não possuir recursos para atender a demandas certamente justas dos policiais ; mais os atos de vandalismo esparramando-se por Curitiba, agora no início da gestão renovadora do lúcido prefeito eleito Rafael Greca, pelas ações do chamado Movimento pelo Passe Livre, com motivações sabidamente ideológicas, com o claro objetivo de criar dificuldades e obstáculos ao prefeito; de tudo isso decorre uma exigência inadiável por parte de todos nós, incluídas as entidades civis, as associativas e as organizações religiosas, na tomada de posição em favor da formulação de políticas públicas, entre elas, as educacionais e culturais, com o objetivo de contribuir para reduzir conflitos e apaziguar os ânimos "fabricados".
Não podemos continuar assistindo a tudo isso de modo passivo e distante. Primeiro, porque a questão é humanitária e, segundo, porque, no médio prazo, a persistir e a expandir esse estado de coisas, estaremos todos desalojados do trono da civilização. E esta não pode admitir que a barbárie estabeleça canais tão poderosos, à margem do Estado e dos direitos humanos e democráticos. Insisto: soluções devem ser intentadas, como base de uma consciência em formação.
Esse assunto requer um aprofundamento filosófico, gerando a necessidade, a meu ver, da seguinte indagação: os homens são naturalmente bons ou são naturalmente maus? Na primeira assertiva estava o "bom selvagem", do "eminente" filósofo dos tempos da Revolução Francesa, Jean Jacques Rousseau, o qual fazia a leitura de que os homens eram naturalmente bons, mas eram corrompidos pela sociedade; já, por sua vez, na segunda hipótese estava entrincheirado o pensador Thomas Hobbes, cuja frase "O homem é um lobo ao homem" é ontológica e definidora do seu pensamento, daí ter costurado o Leviatã para conter os extintos desgarrados do homem (ou emancipados?).
Pessoalmente, faço o seguinte diagnóstico: há homens bons e maus, cujo modo de ser deriva da própria essência de cada um. Condição, tanto numa como noutra situação, que pode ser melhorada ou agravada, dependendo da influência de fatores culturais, religiosos, políticos, educacionais e da própria tolerância das instituições, naquilo que concerne à repressão e sanção, pois a tolerância inspira a marginalidade e a crueldade.
Fiz referência também a fatores políticos, porque, nos nossos dias, temos, uma corrente de pensamento, cuja ideologia impulsiona a luta de classes por meio da desagregação social, utilizando-se dos mais perversos instrumentos : estímulo à luta entre brancos x negros; entre trabalhadores e patrões, entre homens e mulheres, entre homossexuais e heterossexuais, e assim por diante.
Tudo teve início com a Escola de Frankfurt, na qual Herbert Marcuse foi o grande expoente desse pensamento, cujo diagnóstico passava pelo entendimento de que a classe operária havia perdido o seu poder revolucionário em face das benesses que o capitalismo estava lhe oferecendo, daí que a revolução socialista haveria de ser realizada pelos grupos de excluídos e marginalizados da sociedade.
Deu no que deu! Donde, em face dessas considerações, penso que seja possível encontrar a explicação para a violência explicita e camuflada dos nossos dias, porque passou a fazer parte de um método de luta política para conquistar do poder. Nessa método também está incluída a violência dissimulada, patrocinada por novelas e programas televisivos, sem contar "as matérias" jornalísticas que a tudo distorcem pelo bem da ideologia...
OPINIÃO
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