O vírus do HPV está relacionado a 84% dos casos de câncer de colo de útero. No entanto, esse tipo de tumor pode ser prevenido com uma medida simples, a vacinação. Simples em tese, porque a baixa adesão da população à campanha de vacinação contra o HPV virou um problema nacional. Para evitar que milhares de doses do imunizante próximas de expirar a data de validade sejam perdidas – só na 16ª Regional de Saúde de Apucarana são quase 2 mil doses nessas condições -, o Ministério da Saúde ampliou temporariamente o público alvo da campanha, disponibilizando o serviço para pessoas entre 15 e 26 anos.
Os estoques da rede pública de saúde estão altos por conta da resistência da população em aderir à vacinação. No Paraná, a estimativa é que apenas 50% do público alvo tenha se vacinado, pouco comparado aos índices de outras vacinas.
Disponibilizada desde 2014, inicialmente para meninas no início da puberdade, a vacina contra o HPV foi ampliando gradativamente suas faixas de imunização – hoje também inclui meninos e pessoas em situações de saúde especiais, caso de pacientes transplantados, entre outros.
A baixa adesão não é um problema isolado no Brasil, mas afeta toda a América Latina. Um estudo recente conduzido por integrantes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) mostra que apesar da oferta da vacina ter aumentado em todo continente – hoje estima-se que 80% das adolescentes da América Latina tenham acesso ao imunizante, as taxas de adesão estão caindo.
No Brasil, segundo dados apurados pelo estudo junto ao Ministério da Saúde, a cobertura da primeira dose da vacina sofreu uma redução drástica de 23% em apenas um ano – de 92% da população-alvo vacinada entre 2014 e 2015 para 69,5% em março de 2016. O estudo também mostra uma diferença bastante significativa na taxa de imunização entre as regiões mais desenvolvidas, onde o índice é maior, e as regiões menos desenvolvidas do país.
O problema, sustenta o estudo da SBOC, está relacionado a dois fatores fundamentais: falta de informação e preconceito. A preocupação com a segurança da vacina, o desconhecimento sobre as doenças relacionadas ao HPV e o estigma existente por este ser um vírus transmitido sexualmente estão entre as principais causas.
A resistência das famílias em providenciar que os filhos – e principalmente as filhas, cuja vacina praticamente elimina a possibilidade que um dia elas venham a desenvolver câncer de colo de útero – sejam imunizadas é uma realidade absurda que precisa ser trabalhada com urgência. No Brasil, a abordagem a respeito da sexualidade e, consequentemente as políticas de saúde pública e até de educação envolvendo o tema - ainda é cercada de muitos tabus que precisam ser quebrados e superados. Uma sociedade saudável depende disso.
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