Como era esperado, a Câmara dos Deputados aprovou ontem à noite o encaminhamento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) para o Senado. A vitória da oposição é histórica. Após 24 anos, o Brasil volta a discutir o impedimento de um presidente da República. Em 1992, Fernando Collor de Melo foi destituído após processo aprovado na Câmara – ele acabou, no entanto, renunciando no dia da votação no Senado.
Com a decisão dos deputados, o processo de impeachment começa já nesta semana a ser discutido no Senado. Uma comissão especial com 21 senadores e 21 suplentes será formada, que terá dez dias para apresentar um parecer. Esse relatório vai à votação e são necessários 51 votos para a sua aprovação. Com isso, Dilma é afastada por 180 dias e o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assume o cargo até o julgamento efetivo do caso no Congresso, que será conduzido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar de traumático, é o melhor caminho a seguir. O governo de Dilma Rousseff está exaurido e completamente destituído de poder. A incompetência política e de articulação, aliada ao desastre econômico que o País foi lançado, tornou a permanência de Dilma inviável no cargo.
Além desses problemas de gestão, o modelo de corrupção elaborado pelo PT fez o Brasil definhar e provocou a ira da população, ao ser desvendado pela Operação Lava Jato. É claro que o PT não inventou a corrupção no Brasil, mas foi o partido da presidente que institucionalizou os desvios de recursos, contaminando todo o poder.
Dilma Rousseff precisa também ser responsabilizada por isso, pois foi o seu partido que montou esse esquema de corrupção e foi no governo da petista que os casos vieram à tona. Os desvios de recursos públicos e a falta de humildade para reconhecer os erros ampliaram o sentimento de indignação da população brasileira, que não aceita mais o quadro atual e exige mudanças. As “pedaladas fiscais” foram a justificativa oficial para o impedimento, embora a corrupção seja a principal causa, isso é inegável.
O afastamento da presidente pode não representar de imediato a resolução da crise política, econômica e moral do país, mas traz esperança em dias melhores. Voltar a acreditar no Brasil é fundamental.