OPINIÃO

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Impeachment tem seu último ato no Senado

Da Redação

| Edição de 24 de agosto de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Nove meses depois da abertura do processo de impeachment na Câmara, o Senado começa amanhã o julgamento final da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT). A confirmação do impeachment é dada como certa e o país deve encerrar, finalmente, esse momento delicado da história nacional. Foi um período marcado não apenas por uma crise política e pela recessão econômica, mas por uma crise moral causada pelas sucessivas denúncias de corrupção no governo petista.
Oficialmente, Dilma cai por conta das pedaladas fiscais. Foi o nome dado à prática do Tesouro Nacional de atrasar de forma proposital o repasse de dinheiro para bancos (públicos e também privados) e autarquias, como o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). O objetivo do Tesouro e do Ministério da Fazenda era melhorar artificialmente as contas federais, passando a imagem de um governo com a situação econômica em dia.
No entanto, é claro para todo o país que o impeachment é uma decisão política, acima de tudo. O crime fiscal está previsto na legislação, que também considera essa irregularidade causa para o impeachment. Porém, Dilma está sendo afastada do cargo por outros motivos graves que não estão na acusação. Trata-se, em primeiro lugar, da conivência com a corrupção. No governo Dilma, explodiu a Operação Lava Jato, que apontou o desvio de bilhões e bilhões de reais da Petrobras e também de outras estatais. A argumentação de Dilma, de que não tinha conhecimento desses ilícitos, é simplesmente inaceitável para uma mandatária.
Além da corrupção, a recessão econômica acabou com qualquer chance da petista conseguir articular sua base de apoio, ainda mais com a pressão popular. O Brasil mergulhou numa crise de graves proporções, com o aumento do desemprego e da inflação. Enquanto o país marchava a passos largos para o fundo do poço, a presidente reeleita não manifestava nenhuma condição de reverter o quadro, demonstrando total falta de habilidade administrativa. Ou seja, foi um conjunto de situações que empurrou a presidente para o cadafalso.
O impeachment, por mais doloroso que tenha sido para o país, foi necessário. Agora, é preciso virar de uma vez por todas essa página triste da história do Brasil. O presidente em exercício Michel Temer (PMDB) precisa ter respaldo para propor as mudanças necessárias para o país. Dilma teve todas as oportunidades de se defender no Congresso, o que descaracteriza o discurso de golpe. É hora do país seguir adiante e iniciar um novo ciclo.