Muitas pessoas ainda acreditam que a internet é uma espécie de ‘terra sem lei’, onde crimes, quaisquer que sejam, ficam impunes. Mas o caso envolvendo o prefeito de Apucarana, Junior da Femac, em que ele foi citado em um vídeo difamatório nos últimos dias, provou que não é assim. No mesmo dia, a Polícia Civil de Apucarana identificou uma mulher que seria a responsável por ‘encomendar’ o vídeo em questão. Ela deverá responder por injúria, mostrando que há consequência para os atos cometidos na esfera virtual.
As imagens foram utilizadas para denegrir o prefeito, através de uma piada de extremo mau gosto. O vídeo em questão ainda presta um verdadeiro desserviço à comunidade LGBTI, que já é marginalizada pela sociedade de modo geral, ao reforçar estereótipos da população trans, ainda muito associada a questões sexuais.
É compreensível que algumas pessoas ainda tenham a noção equivocada de que, no ambiente virtual, impera a impunidade. Durante vários anos, esta realmente foi a realidade da rede mundial de computadores, visto que as autoridades demoraram para acompanhar (e entender) o que era essa tal de internet. Desta forma, xingamentos, injúrias e difamações eram feitas em sites, blogs e fóruns sem grandes consequências.
Depois que a internet se popularizou, os órgãos de controle social, em especial as polícias Civil e Federal, começaram a olhar esta tecnologia crescente com outros olhos. Isso aconteceu mais ou menos junto com o aumento exponencial da importância das redes sociais entre a população brasileira em geral. Este sentimento ultrapassado de impunidade, aliado a características intrínsecas da rede, como distanciamento físico entre as pessoas e suposta possibilidade de anonimato, acaba por ‘incentivar’ o comportamento errático nas redes.
As pessoas precisam entender que agir com responsabilidade é fator preponderante para uma sociedade desenvolvida. Atos, como este que envolveu o prefeito da cidade, dá mostras de que ainda temos muito que aprender e evoluir enquanto cidadãos. A internet, assim como a vida fora do mundo virtual, não é ‘terra sem lei’ e as pessoas devem ser responsabilizadas por tudo o que falam ou escrevem. Há coisas mais importantes do que o número de curtidas e compartilhamentos.