OPINIÃO

min de leitura - #

Judiciário e instituições precisam ser respeitadas

Da Redação

| Edição de 12 de maio de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

A atenção de todo o país esteve voltada anteontem para Curitiba, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) depôs na condição de réu ao juiz Sérgio Moro. O embate entre os dois vinha sendo muito aguardado por defensores do petista e também por entusiastas da operação Lava Jato. O resultado acabou frustrando os dois lados, pois não houve um confronto mais contundente. Moro seguiu os trâmites legais e fez as perguntas que achava necessárias de forma comedida e cautelosa. Lula seguiu a sua cartilha, de colocar-se como vítima de perseguição política e da mídia e de responder as perguntas mais difíceis com o seu famoso “não sabia”. 

O país vive um Fla-Flu político nos últimos tempos. Coxinhas e petralhas vêm se de digladiando nas redes sociais e nas ruas. Por isso, muitos esperavam que algo impactante fosse acontecer em Curitiba. No entanto, o depoimento seguiu o protocolo da investigação. Curitiba parou para evitar qualquer transtorno. Mais de 3 mil profissionais de segurança participaram da operação. Felizmente, não houve confronto entre os manifestantes. 

Lula manteve sua estratégia de transformar tudo em espetáculo político. O ex-presidente, a todo momento, tentou vincular as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF) a uma perseguição a sua figura e ao PT. Lula e sua defesa buscaram, de todas as formas, transformar o embate em um ringue. No entanto, Moro agiu de forma inteligente e barrou qualquer tentativa nesse sentido. Afinal, o depoimento não passou de um rito de praxe.

A situação do ex-presidente, no entanto, é delicada. O petista não aproveitou o depoimento para apresentar provas em sua defesa. Apenas negou as denúncias de forma evasiva. A decisão agora está nas mãos de Moro. O juiz paranaense costuma dar sentenças rápidas. Isso deve agora se repetir no caso de Lula. A bola do jogo está nas mãos do magistrado. 

O importante é que as instituições sejam respeitadas. Moro, respondendo pela Justiça Federal de primeira instância, tem o poder legal de analisar as provas e julgar o ex-presidente. No depoimento de quarta-feira, o magistrado deixou claro que irá agir de forma transparente, respeitando as leis, negando qualquer “desavença pessoal”. É isso que se espera do Judiciário e Moro saberá que precisará respeitar as leis na hora de sentenciar. Ele não cometeria a insanidade de ser um justiceiro, como pensam muitos petistas ou até apoiadores da Lava Jato fanáticos. A decisão será, certamente, respaldada por provas. 

Nesse Fla-Flu político, qualquer decisão de Moro não irá mudar o pensamento dos lados opostos. Os defensores de Lula seguirão achando que o ex-presidente é vítima de uma ampla perseguição política e midiática, enquanto os defensores da Lava Jato continuarão querendo ver Lula preso e sem seus direitos políticos. O essencial, em meio a essas paixões político-partidárias, é a Justiça ser feita em sua plenitude. É isso o que a população quer, que os corruptos sejam defenestrados da política, não importa o seu tamanho político ou cargo que exerceram. Se forem culpados, que paguem pelos seus erros dentro do que diz a lei.