OPINIÃO

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Mais um ‘faroeste’ no Vale do Ivaí

Da Redação

| Edição de 14 de fevereiro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A antiga tranquilidade dos municípios menores está virando saudade no Vale do Ivaí. Durante a noite, o sossego acaba com explosões em agências bancárias e quem mora perto de agências passou a ter o sono leve. Contudo, as quadrilhas da dinamite já não são mais o único problema. Em ações cada vez mais ousadas, bandidos retomaram os assaltos a banco - um tipo de ocorrência que tinha sido praticamente erradicado do estado em décadas passadas - em um modus operandi extremamente violento.
No início da tarde de anteontem, foi a vez do município de Rio Branco do Ivaí virar palco de mais um ‘faroeste’, com a população sendo usada como escudo sob a mira dos bandidos em assalto a agência do Banco do Brasil do município. Na fuga, dois vigias foram amarrados sem camisa no capô do carro. Um risco e uma humilhação que nenhum cidadão deveria ser exposto.
No ano passado, pelo menos vinte bancos foram alvo de ataques de bandidos na região. Assaltos nas mesmas proporções que o de anteontem aconteceram em Borrazópolis e em Kaloré. Em Rosário do Ivaí uma tentativa de furto chegou a colocar bandidos dentro de uma festa de casamento. Neste ano, já foram três ataques, incluindo a explosão de uma agência na prefeitura de Apucarana, cidade sede de um batalhão da Polícia Militar.
Recentemente, uma grande quadrilha envolvida com pelo menos dois dos casos aqui citados foi desbaratada, resultando na prisão de mais de vinte pessoas. Contudo, como se percebe, segurança pública é como enxugar gelo, e dada a mobilização que o crime organizado atingiu, se corta uma falange outras duas nascem no lugar.
É fato que algo precisa ser feito para cortar o poder de fogo dessas quadrilhas. O estado precisa sim melhorar o aparato de segurança e reforçar o policiamento nas cidades menores - notadamente as mais visadas pelos bandidos. De outro lado, a iniciativa privada precisa fazer sua parte. Na década de 1990, a adoção de novas tecnologias de segurança nos bancos ajudou a conter os assaltos. Hoje, ao que parece, a porta giratória só tem servido para segurar o cidadão que carrega chaves e guarda-chuva.
No ano passado, a Secretaria de Segurança Pública deu um ultimato ao setor financeiro para apresentar novos planos de segurança para suas agências, minimizando riscos para clientes e também funcionários. Hoje, tendo em vista o poder de fogo dos bandidos, talvez seja hora de discutir blindagem nas agências. O que não pode acontecer é o que continua se repetindo. A população sendo acuada pelos bandidos, os bancos fechando agências para evitar riscos deixando municípios inteiros desassistidos financeiramente.