A possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumir um ministério - cada vez mais concreta - é uma nova afronta do governo em meio à onda de denúncias de corrupção no Palácio do Planalto. É uma conduta inaceitável, que vai contra o ditado popular “não devo, não temo”, usado pelo próprio petista após a condução coercitiva na 24ª fase da Operação Lava Jato, no começo deste mês.
A indicação para um ministério ganhou força a partir da decisão da juíza Maria Priscilla Veiga Oliveira, que estava incumbida de decidir sobre o pedido de prisão do ex-presidente, de transferir o caso ao juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato. A magistrada paulista diz entender que não faz sentido “trazer para o âmbito estadual algo que já é objeto de apuração e processamento pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR) e pelo Ministério Público Federal”.
A repercussão da decisão da juíza foi imediata em Brasília. Com o pedido de prisão nas mãos de Moro, o ex-presidente Lula teria decidido aceitar a oferta de um ministério, tentando fugir da prisão. Isso porque, como ministro, ele terá foro privilegiado e o processo sai das mãos do juiz paranaense e será analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Lula está entre a Casa Civil e a Secretaria de Governo.
A situação de Lula é constrangedora. O mito em torno do ex-presidente ruiu a partir das denúncias em profusão que apontam para enriquecimento ilícito, a partir do tríplex no Guarujá e no sítio em Atibaia, além de pagamentos vultosos em palestras.
Caso o ex-presidente aceite realmente o cargo de ministro, o petista praticamente faz uma confissão de culpa. A sociedade precisa incluir nas suas manifestações um ato contra essa absurda nomeação. Essa manobra é inaceitável, pois mostra que o governo federal não se constrange em manipular e tentar interferir no Judiciário. É uma completa falta de transparência e um desrespeito tremendo em relação às instituições brasileiras.
A situação do atual governo é insustentável. Essas sucessivas manobras afundam Dilma e Lula ainda mais nesse lamaçal de corrupção que o País, ao menos, está combatendo graças à Operação Lava Jato.