OPINIÃO

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Manutenção de ocupações revela autoritarismo no PR

Da Redação

| Edição de 06 de novembro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Os estudantes precisam rever, de uma vez por todas, as ocupações de escolas estaduais e de outros prédios públicos. O movimento está agindo de forma autoritária, o que é inaceitável. Em Curitiba, um grupo de mascarados invadiu o Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR); em Londrina, manifestantes ocuparam a Câmara de Vereadores. A situação está passando do limite.

É fundamental bom senso por parte dos manifestantes. O protesto, como já foi dito neste espaço em várias oportunidades, é legítimo. No entanto, o objetivo de chamar atenção para a insatisfação já foi alcançado. A mobilização pode ser mantida em outros canais, sem a necessidade de ocupações. Até porque essa estratégia está trazendo prejuízo a um grande número de outros estudantes.

Mais de 240 mil alunos do país tiveram as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) adiadas, sendo 43 mil apenas no Paraná. Certamente, prejudicar os próprios colegas não era o objetivo do movimento. É claro que o governo federal também adotou uma estratégia, no mínimo, contestável. O Ministério da Educação (MEC) poderia transferir as provas para escolas não ocupadas ou outros locais, como fez o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições. No entanto, esse é outro debate.

Além dos prejuízos ao Enem, as ocupações são criticadas pela população. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas mostra que quase 70% dos paranaenses desaprovam o fechamento de escolas. Foram ouvidas 1,4 mil pessoas em 68 municípios entre os dias 1º e 3 de novembro.

Mesmo contrários às ocupações, entretanto, 62,2% dos entrevistados consideram válidas as reivindicações dos estudantes em relação as pautas defendidas pelo movimento. Ou seja, a população até compreende a revolta da classe estudantil.

A maioria dos entrevistados, 84,2%, defende ainda que os estudantes deveriam adotar outras formas de se manifestar e mostrar sua opinião.

Ou seja, o movimento Ocupa Paraná precisa fazer uma leitura melhor da situação. A população aceita as razões da manifestação, mas critica esse autoritarismo dos manifestantes, em seguir com os protestos sem abrir um canal de diálogo para alcançar o objetivo central, que é a retirada da medida provisória que propôs mudanças no ensino médio.

Passou da hora dessas ocupações cessarem. Os prejuízos aos estudantes são inaceitáveis. Além do Enem, o calendário escolar não pode ser comprometido dessa forma.