Muito se fala dos riscos do consumo de drogas por adolescentes e jovens, mas o mesmo não se diz em relação ao abuso de bebidas alcoólicas. Nesta semana, o Conselho Tutelar de Apucarana fez um alerta para o problema. É grande o número de menores alcoolizados em festas e também nas ruas da cidade durante o dia. Muitos deles, inclusive, chegam bêbados às salas de aula.
Na quinta-feira, a bebedeira de três adolescentes acabou virando caso de polícia. Os jovens causaram tumulto em frente ao Colégio Estadual Professor Izidoro Luiz Cerávolo. Eles beberam uma garrafa de vodca e passaram a incomodar os demais estudantes. O Conselho Tutelar foi chamado e os pais desses garotos convocados. No entanto, um dos adolescentes, que estava sob efeito mais forte de álcool, ficou muito agressivo e a Polícia Militar foi ao local para contê-lo.
Esse tipo de situação é bastante frequente, segundo o Conselho Tutelar. A partir dos 13 anos, o consumo de bebidas alcoólicas passou a ser corriqueiro entre os menores. O órgão já flagrou casos mais extremos, de crianças de 9 anos embebedadas. Em maio do ano passado, o consumo de álcool degringolou para uma denúncia de estupro. Uma garota foi abusada sexualmente por dois garotos após uma bebedeira. É algo gravíssimo.
A situação serve de alerta para pais e também demonstra as falhas na fiscalização da venda de bebidas alcoólicas. A lei proíbe a comercialização desse tipo de produto para menores de idade. Infelizmente, muitos comerciantes desrespeitam a legislação.
O alcoolismo é extremamente grave, pois causa danos psicológicos e físicos aos menores de idade. Pesquisas mostram que o corpo do adolescente, ainda em formação, está mais suscetível aos malefícios do álcool do que o de um adulto.
Além da aplicação da lei, é fundamental a vigilância de pais. É algo complexo, é verdade. Afinal, a maioria dos casos de jovens alcoolizados ocorre justamente em famílias desestruturadas. Por isso, é fundamental que os pais “acordem” e passem a acompanhar seus filhos mais de perto. É preciso conhecer a rotina dos adolescentes, com quem se relacionam e os locais que frequentam, para evitar o contato com bebidas alcoólicas e também drogas.
É preciso, portanto, maior atenção em relação a esse problema. Por um lado, os pais devem ser mais vigilantes e atentos ao mundo dos filhos; por outro, as autoridades têm a obrigação de fazer cumprir a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas para menores, multando e até fechando bares e outros estabelecimentos comerciais que insistem em descumprir a legislação sobre o assunto.