O Brasil é o quinto país com maior número de mortes de trânsito, atrás apenas da Índia, China, Estados Unidos e Rússia. Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um 1,3 milhão de pessoas morrem anualmente no mundo vítimas da imprudência ao volante. No Brasil, em 2015, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 37.306 óbitos e 204 mil pessoas ficaram feridas. A maioria desses acidentes tem como causa o desrespeito às regras de trânsito e a falta de conscientização dos motoristas.
A Tribuna publicou ontem reportagem mostrando o excesso de infrações cometidas nas rodovias federais que cortam a região. Foram quase 6,2 mil multas aplicadas nos postos da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Apucarana e Mauá da Serra em 2017. O número é 21,4% maior do que o registrado em 2016, quando foram lavradas 5.101 autuações. Em média, os inspetores federais flagraram entre 16 e 17 infrações por dia.
O abuso de velocidade foi a infração mais cometida nas rodovias da região no ano passado. Essa irregularidade representou 34% do total de multas, ou 2.107 infrações. Em segundo lugar está a ultrapassagem em local proibido, com 877 autos de infração lavrados. Conduzir sem cinto de segurança gerou 542 multas em 2017 vem na sequência. Em quarto lugar aparece dirigir alcoolizado, que passou de 155 para 171 multas.
Quem percorre as rodovias flagra um verdadeiro festival de abusos. O excesso de velocidade é um problema recorrente. Muitos motoristas extrapolam os limites. Outra irregularidade cometida com frequência é a ultrapassagem em local proibido, que também aumenta consideravelmente o risco de tragédias.
A PRF está correta em ampliar a fiscalização. As multas são uma decorrência do desrespeito às regras. Se o motorista respeitar a sinalização, certamente, não será autuado e também garantirá uma viagem segura.
Por isso, é fundamental uma mudança de comportamento. O motorista precisa tomar uma posição em defesa da vida. Essas infrações são inaceitáveis e refletem, basicamente, um problema grave de falta de educação e de respeito ao próximo. O aumento da fiscalização garante resultados mais imediatos, mas somente um amplo trabalho de conscientização, principalmente das novas gerações, poderá representar uma quebra de paradigma. É isso que precisamos no trânsito, uma mudança completa de postura.