A Tribuna trouxe no último domingo reportagem com três moradores de Apucarana que foram vítimas da pólio. Eles reforçaram a importância da vacinação, observando que uma simples gotinha poderia ter transformado suas vidas. Os depoimentos mostram as graves consequências que essa negligência representa na vida dos filhos.
O medo da poliomielite e de outras doenças, como o sarampo, está de volta ao país por conta da baixa cobertura vacinal. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 300 municípios brasileiros foram notificados por registrarem índices de imunização da pólio inferiores a 50%.
Na região, a situação é menos grave, porém, também gera preocupação entre as autoridades de saúde pública. Em Apucarana, a cobertura vacinal contra a pólio foi de 81,7% no passado e em Arapongas de 82,8%. O recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é um índice superior a 95%.
O país teve 26 mil casos de pólio de 1968 a 1989, mas não registra a doença há 30 anos. No entanto, a preocupação do ministério se justifica por ao menos três motivos: a circulação do vírus em 23 países nos últimos três anos; o surgimento de um caso suspeito da doença na Venezuela em junho; e o efeito devastador da doença no país antes de sua eliminação, graças à vacina.
Não há justificativa para a população abrir mão da vacinação, que é um direito. Nos casos relatados pela Tribuna, as vítimas da pólio não foram vacinadas porque, naquela época, faltava informação e também o acesso à imunização era mais complicado. Hoje, a realidade é totalmente diferente.
No entanto, o problema é outro. A desinformação e a boataria disseminada em redes sociais ajudam a reduzir a cobertura vacinal. Há relatos inverídicos sobre eventuais riscos da vacinação, o que pode trazer graves consequências, como o retorno de doenças consideradas erradicadas no Brasil.
A poliomielite é uma doença viral que pode afetar os nervos e levar à paralisia parcial ou total. Apesar de também ser chamada de paralisia infantil, a doença pode afetar tanto crianças quanto adultos.
No mundo todo, o cenário da doença melhorou radicalmente. O número de casos em todo o globo caiu 99% desde 1988, passando de 350 mil para 406 notificados em 2013, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.
No entanto, é preciso uma mobilização nacional, esclarecendo a população sobre a importância da vacinação. O país não pode retroceder ao ponto de voltar a registrar casos da doença por causa da negligência em relação à vacinação.