O governo federal implantou uma nova política de preços na Petrobras. A partir de agora, as cotações dos combustíveis vão respeitar os valores praticados no mercado internacional, sem uma interferência política, como vinha ocorrendo até agora. Na prática, isso significa que os preços da gasolina e diesel partirão de uma decisão empresarial, de mercado, e não de interesses em controlar ou não a inflação, por exemplo.
Essa transparência é bem-vinda, pois há a possibilidade de redução efetiva dos preços nas bombas a partir de uma oscilação internacional, como é o caso. Desde que esta política foi iniciada, duas reduções de preços já foram anunciadas pela Petrobras.
Na teoria, é uma ótima notícia para os motoristas. No entanto, na prática, essa novidade frustrou o consumidor. Na primeira redução de preços anunciada pela Petrobras, não houve mudança nesse sentido na maioria dos postos de combustíveis. Pelo contrário. Alguns chegaram a reajustar os preços praticados na gasolina, argumentando que houve alteração significativa no etanol, assim, não foi possível seguir a tendência anunciada pela Petrobras – no Brasil, a gasolina comum recebe a adição de 27% de álcool anidro.
Nesta semana, a Petrobras anunciou nova redução do preço do diesel em 10,4% e da gasolina em 3,1% nas refinarias, a segunda em um mês. Se o índice for repassado integralmente ao consumidor, o diesel pode cair 6,6%, o que representaria uma queda de R$ 0,20 por litro, e a gasolina 1,3%, que corresponderia a uma redução de R$ 0,05 por litro.
No entanto, a Tribuna conversou com gerentes de postos de combustível em Apucarana e não há data para essa redução chegar às bombas. O problema é que até chegar ao motorista os preços sofrem interferência de vários fatores desde a refinaria, passando pela distribuidora até chegar aos postos.
Em síntese, a nova política dos preços anunciada pelo governo federal precisa ser mais transparente também nessa parte final do processo. Não basta anunciar uma redução na refinaria se isso não se confirma nas bombas. É uma falsa redução de preços, que mais aumenta a frustração dos consumidores, que sonham com uma gasolina realmente mais barata.
A nova política de preços da Petrobras, é preciso reconhecer, é mais sensata, ao levar em conta as oscilações do mercado internacional. No entanto, precisa funcionar na prática, beneficiando o cidadão comum que abastece o tanque em sua cidade.