Na primeira sessão após as eleições, a Câmara de Apucarana tornou-se um grande muro de lamentações, como era esperado. O alvo principal das reclamações dos vereadores foi a enxurrada de críticas recebidas pelas redes sociais, principalmente Facebook, durante a campanha eleitoral. Os discursos nesse tom partiram até de reeleitos, solidários com os colegas que vão deixar o plenário na próxima legislatura.
De fato, as redes sociais fervilharam durante o período eleitoral. No entanto, o “tribunal da internet” já é uma realidade há bastante tempo. Escondidos atrás de perfis falsos ou não, muitas pessoas bradam e opinam sobre tudo e todos. É claro que os vereadores não escapariam desses julgamentos virtuais, fáceis de serem emitidos, a distância de um clique no computador.
No entanto, é preciso interpretar as razões desse fenômeno. As redes sociais reproduzem um sentimento coletivo. Na verdade, o principal motivo das críticas foi a proposta de aumentar o número de cadeiras, que acabou derrubada na Justiça. A maioria dos memes e protestos maciçamente divulgados no Facebook partiam desse ponto.
A vereadora Aurita Bertoli (PT), por exemplo, pagou um preço alto pela dança que protagonizou na Câmara durante uma das várias discussões no plenário em relação ao número de cadeiras. O vídeo viralizou na internet e foi reproduzido e compartilhado inúmeras vezes nas redes sociais. O resultado nas urnas foi terrível para a petista: 412 votos. A dança foi interpretada como um gesto desrespeitoso e provocativo ao povo. Esse comportamento acabou jogando por terra todo o trabalho social da vereadora, que sempre foi reconhecido.
Não basta reclamar das redes sociais. É preciso compreender as razões dessa postura do eleitorado. Isso justifica – e muito – a não reeleição de muitos vereadores apucaranenses. Para os novos vereadores, fica a lição. Quem se comportar contra os interesses da maioria, irá sofrer as consequências eleitorais.
Por outro lado, os apucaranenses não podem apenas discutir a cidade pelo Facebook. É muito cômodo. É preciso ter o mesmo ímpeto e a mesma coragem fora dos celulares e computadores. Os eleitores devem prestigiar mais as sessões da Câmara, acompanhar os trabalhos dos vereadores eleitos e participar da vida pública do município. O cidadão tem o papel de fiscalizar os eleitos e cobrar uma atuação em defesa da coletividade. Bradar pela internet contra os políticos, mas não conhecer a rotina da Câmara, não saber exatamente qual é o papel do vereador, é uma falácia.
A política é feita por todas as pessoas. A comunidade precisa se fazer presente. Esse envolvimento vale para a Câmara e também para o Executivo. Os detentores de cargos públicos precisam prestar contas permanentemente do seu trabalho.