A confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil tem causado apreensão entre autoridades e também sociedade civil. O fato de termos a doença confirmada no país pode gerar um certo pânico infundado em parte da população. Pessoas bem informadas podem concluir que o coronavírus demanda cuidados, mas que qualquer desespero é infundado. No entanto, é preciso destacar que, assim como a China, o Brasil pode também sofrer impactos econômicos, além dos sociais.
Não há motivo para pânico porque estudos mostram alta transmissibilidade do vírus, mas risco de morte menor do que de outras infecções respiratórias. Cientistas avaliaram todos os casos confirmados dessa infecção respiratória que deram entrada entre 1º e 20 de janeiro de 2020 em um hospital de Wuhan. Entre eles, 55% possuíam algum problema crônico, como diabetes, doenças cardiovasculares, males digestivos ou respiratórios e câncer. Além disso, a média de idade dos pacientes era de 55 anos (37% estavam acima dos 60 anos). Se o governo adotar medidas preferenciais para a população mais vulnerável, os impactos da doença devem ser severamente minimizados.
Já o impacto econômico é uma incógnita. Em um primeiro momento, a China observou que serviços como restaurantes, cinemas, teatros e parques de diversões, além dos setores de transporte e moradia, foram mais afetados. O varejo também sofreu e, há alguns dias, foram as empresas que dependem de produtos e componentes fabricados na China que passaram a sentir os efeitos da crise.
Como as pessoas não vão trabalhar, não há novos produtos. Acabados os estoques, a população sofre com a falta de estoque e, consequentemente, varejo sofre sem estoque. Como as empresas não abrem, e também não produzem, não vendem. Como não têm receita, também não conseguem pagar seus funcionários, nem honrar suas dívidas.
Especialistas mais pessimistas apontam que o risco de uma forte desaceleração do PIB mundial é grande. A médio prazo, essa crise de saúde pública pode acelerar ainda mais o processo de reversão da globalização que já vinha em curso.
Portanto, é preciso que a população se mantenha calma. As medidas de saúde contra a transmissão do vírus são simples e devem ser adotadas por todos. Juntamente com a preocupação para a saúde da população, os governantes precisam ficar atentos a uma possível complicação para a economia, bem no momento em que o Brasil procura se restabelecer de uma recessão. O Brasil pode estar mais preparado para a doença em si do que para o impacto econômico advindo dela.
OPINIÃO
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