A morte de Fidel Castro representa também o fim de um modelo político em Cuba. O país caribenho já iniciou um processo de abertura com o irmão Raúl Castro, mas agora essas mudanças devem ser aceleradas. Afinal, a presença mítica de Fidel Castro ainda impedia ações mais drásticas nesse sentido.
É preciso reconhecer as conquistas inegáveis obtidas por Fidel Castro, principalmente nas áreas de saúde, educação e esporte. O pequeno país conseguiu indicadores acima da média nas áreas sociais, servindo de exemplo para o mundo.
É por isso que o líder cubano é visto pela esquerda de forma romântica, com um político que buscou a igualdade entre os seus cidadãos. Por outro lado, Fidel Castro implantou um regime de opressão e de violência. Adversários foram presos e assassinados.
Fidel Castro governou com mão de ferro e virou personagem icônico de toda a América Latina. Ao desafiar os Estados Unidos, chamou atenção para o socialismo.
No entanto, o lado sanguinário acabou se sobressaindo. Fidel Castro perseguiu adversários e também a imprensa. A igualdade acabou sendo um discurso populista, encabeçado por outros líderes sul-americanos, mas notadamente por Hugo Chávez, na Venezuela, e também pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil. Este último sempre mascarou o lado ditador de Fidel Castro em favor do “líder socialista”.
É fato que Cuba está parada no tempo. A sua economia está fragilizada e o povo abandonado à própria sorte. O futuro do país ainda é um dilema. Como será Cuba sem Fidel Castro é a pergunta que todos os cidadãos estão fazendo e, certamente, anseiam por uma resposta.
O modelo político cubano é insustentável. O fim da era de Fidel Castro é uma ótima notícia para Cuba, mas também para toda a América Latina. A população não quer ser dominada e subjugada por um líder populista, arbitrário, que não concede nenhum tipo de liberdade política e de manifestação ao seu povo.
A trajetória política de Fidel Castro marcou a América Latina e o mundo. Seu nome ficará para a história – para o bem e para mal. A história ainda fará o julgamento definitivo de Fidel Castro, mas algo hoje já é perceptível e inquestionável: um país não pode abrir mão jamais da liberdade. O povo não deve ser subjugado, perdendo seu direito a voz. Se essa for a política de Estado, de nada adiantarão bons resultados em saúde e educação, por exemplo. Liberdade e igualdade não podem ficar desassociadas jamais.