OPINIÃO

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O preço do discurso do “nós” contra “eles”

Tribuna do Norte

| Edição de 03 de abril de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O prefeito de Apucarana, Beto Preto, oficializou na quinta-feira passada a sua saída do PT. A desfiliação é reflexo direto do desgaste da legenda, acossada por uma série de escândalos em nível nacional. Embora em Apucarana Beto Preto tenha conseguido manter-se alheio ao que acontecia no Palácio do Planalto e, com apoio parlamentar, conseguiu trazer muitos recursos federais para o município, o fardo de concorrer à reeleição pelo PT poderia ser pesado demais. Beto Preto agora segue para outro partido, muito provavelmente o PSD do secretário de Desenvolvimento Urbano, Ratinho Júnior.

O PT vem sendo corroído por denúncias de corrupção. A Operação Lava Jato, que revelou desvios bilionários na Petrobras, decretou o início da queda do partido, que conseguiu eleger Luiz Inácio Lula da Silva em duas oportunidades e Dilma Rousseff em mais duas.

O PT é amado e odiado; é símbolo desse “Fla-Flu” que se tornou a política nacional nos últimos tempos. O país foi dividido entre “coxinhas” e “petralhas”. Essa divisão é um reflexo do próprio discurso petista dos últimos anos, do “nós” contra “eles”.

O próprio ex-presidente Lula perdeu sua aura com as denúncias da Lava Jato. Ele é acusado de receber favores e benefícios de empreiteiras beneficiadas com contratos na Petrobras. O tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia são apenas alguns dos exemplos dos “presentes” que Lula recebeu de grandes empresas, sem contar as famosas – e caras – palestras. Dilma Rousseff, bom, esta é apenas uma “invenção” de Lula que não deu certo.

O partido, é preciso fazer justiça, obteve resultados fabulosos no que tange à inclusão social. Embora controversos, os programas sociais mudaram o patamar de milhões de brasileiros. No entanto, o PT provou do seu próprio veneno. Ao dividir o país, acabou isolado. Ao combater a corrupção quando oposição mas lambuzar-se dela quando governo, ficou marcado com a pecha desonestidade, embora outros partidos sejam tão - ou até mais - desonestos que ele.

O partido esfacelou-se ao deslumbrar-se com o poder. Agora, perde nomes importantes que não querem mais ter sua imagem atrelada à legenda, como é o caso do prefeito de Apucarana e de muitas outras lideranças. Lula se tornou uma caricatura e o futuro do partido é incerto. É o preço por tanto desmando e tanta contradição.