O setor de vestuário de Apucarana – de longe a principal atividade industrial do município - encerrou 2016 no azul em termos de geração de empregos. Em um ano em que o município reduziu mais de 600 vagas formais de emprego – os dados são Cadastro Geral de Empregos (Caged) do Ministério do Trabalho - , a indústria do vestuário criou 267 novos postos de trabalho. O desempenho nesse quesito é o melhor desde 2007, mas está longe de recuperar as vagas perdidas em 2015. No auge da crise, foram fechados 935 postos de trabalho.
O início da recuperação do vestuário mostra que sim, é possível superar a crise. Para a indústria local, driblar o mau momento econômico exigiu mudanças internas. Na avaliação do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Vale do Ivaí (Sivale), a crise obrigou a cortes de funcionários e reformulação da rotina de trabalho para melhorar índices de produtividade. Outro diferencial foi o investimento. Empresas que apostaram no desenvolvimento de suas marcas obtiveram melhor retorno.
A valorização da marca própria – uma bandeira que há tempos vem sendo levantada pelo Sivale – pode se tornar o divisor de águas na indústria local. A transformação do polo local em criador de moda é estratégica para o setor, que por anos se focou no mercado cheio de altos e baixos das peças promocionais, além de atuar como linha de produção terceirizada para marcas de fora.
Na verdade, a reação rápida ao atual momento econômico é fruto de uma reação que começou lá atrás, motivada por outros fatores. Na verdade, a crise do setor começou com a invasão dos produtos chineses no mercado nacional, notadamente na área da confecção, que tomou proporções de fenômeno no início desta década.
A implantação do Arranjo Produtivo Local (APL) do boné, um dos primeiros do Estado, a criação do Centro Moda - que mais tarde virou campus local da UTFPR, para a formação de mão de obra especializada principalmente para a criação são referências nesse processo. A atuação do Sivale também precisa ser destacada. O sindicato não apenas levantou a bandeira da marca própria, mas vem investindo sistematicamente na ideia.
O fortalecimento da moda apucaranense passa pela criação do Laboratório de Criação de Moda (Lacrimo), pelo Apucarana Fashion Day - cuja segunda edição realizada no ano passado com bastante sucesso, pelos eventos de capacitação e viagens de negócios. Incentivar a criação de uma moda própria não é luxo, é necessidade diante de um mercado de fast fashion cada vez mais competitivo, exigente e globalizado. As empresas que não se reinventarem correm risco real de fechar as portas. Apucarana continua sendo a Capital do Boné, mas tem como ir além.
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