A sessão da Câmara de Apucarana da última terça-feira foi marcada por desabafos. Alguns vereadores reclamaram de ataques e falaram até em “complô” de alguns setores da sociedade para prejudicar a imagem do Legislativo. As críticas geram desconforto e algumas até são exageradas, é verdade. No entanto, os reiterados protestos são até naturais com o desgaste enfrentado pela Câmara nos últimos tempos, principalmente com o episódio do número de cadeiras, até hoje indefinido, a menos de seis meses das eleições. Além disso, há o próprio desgaste com a classe política nacional.
O estopim para o desabafo foi uma ação popular protocolada por dois advogados, apontando recebimento de subsídios a mais por parte dos vereadores desde 2013, em valores que somam R$ 933,5 mil. A Justiça já negou pedido de liminar que solicitava a devolução dos valores.
Vereadores também reclamaram das críticas ácidas de internautas pelas redes sociais e também em sites de notícias, como o próprio TNOnline, da Tribuna. Segundo eles, há muita agressividade nos comentários e pouco debate que possa colaborar na melhoria da política local. Na visão deles, algumas pessoas se utilizam do anonimato da internet para atacar sem conhecimento de causa do trabalho legislativo.
A questão da internet é polêmica. Há, de fato, um “tribunal virtual”. Muitos cidadãos fazem críticas pesadas e julgam o trabalho, não apenas dos vereadores, mas das mais diversas autoridades. Há casos de falta total de bom senso e agressões gratuitas sem sentido.
Há também críticas feitas por alguns moradores que nunca pisaram na Câmara, não conhecem os meandros políticos e jamais se colocaram à disposição em eleições para tentar mudar a realidade.
Tudo isso é verdade. No entanto, a Câmara de Apucarana acaba pagando por alguns erros. A questão da indefinição do número de vereadores é o principal. A sociedade defendeu a manutenção de 11 cadeiras, mas o Legislativo não concordou. Primeiro, aprovou 19 vagas, depois 15. Agora, a Justiça concedeu liminar determinando 11 vereadores.
Enfim, é preciso assimilar melhor as críticas. O Legislativo nem pode receber apenas elogios, tampouco o Executivo. Esperar isso é ingenuidade. Quando se assume um cargo público, é natural enfrentar a pressão da sociedade. É justamente para isso que os políticos são eleitos. Ainda mais agora, com a internet, onde a crítica está a um clique. É preciso interpretar melhor as vozes que ecoam das redes sociais e dos sites. Não adianta lutar contra. O correto é utilizar essas ferramentas a favor, pois, apesar dos exageros, a internet é, sim, um termômetro do sentimento das ruas.