Onze estudantes de três colégios estaduais de Apucarana participaram, anteontem, de um ato solene no Fórum Eleitoral. Os adolescentes foram eleitos nesta semana entre 46 candidatos que disputaram em um universo de mais de 900 eleitores e foram diplomados. As eleições foram a primeira etapa do projeto Parlamento Jovem, implantado neste ano em Apucarana.
O programa, que é é desenvolvido pela Câmara de Vereadores de Apucarana, em parceria com o Conselho Municipal de Juventude e Escola Judiciária Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), vai acompanhar e incentivar os jovens uma reflexão e conhecimento a respeito do que é, efetivamente, uma atuação política, como ela se processa e qual papel direto dessa prática na vida em comunidade.
O pleito, realizado nesta semana, envolveu alunos do 9º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. O TRE enviou títulos eleitorais exclusivos para a eleição e a votação foi realizada em urnas eletrônicas em um processo eleitoral antecedido por campanha e debates. A primeira sessão ordinária dos jovens vereadores já tem data marcada, e será realizada no dia 2 de agosto, às 16 horas, na Câmara de Apucarana.
Programas nos mesmos moldes são desenvolvidos nas assembleias legislativas estaduais e na Câmara dos Deputados, visando dar uma maior abertura para a participação dos jovens na política.
A inclusão da juventude nos debates políticos é um dos desafios da democracia em todo o mundo. De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), baseado em dados de 2016, em torno de 16% da população do mundo tem entre 20 e 29 anos, mas essa faixa etária representa apenas 1,6% de parlamentares, dos quais a maioria são homens, de acordo com a UNFPA.
No Brasil a situação não é melhor em termos de representatividade. Na eleição de 2014, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), somente 2% dos candidatos aos cargos eletivos eram considerados jovens. Ao todo, de 24.899 candidaturas registradas no TSE, apenas 502 eram de pessoas com menos de 25 anos.
O desinteresse dos jovens é um sintoma da falta de identificação da juventude com a atual política partidária. O próprio movimento estudantil, tão importante no passado na formação de novas bases políticas anda quase desaparecido. Esse inclusive, é um dos motivos do movimento da ocupação das escolas em 2016 ter surpreendido tanto.
O incentivo à discussão política na juventude precisa ser ampliado e valorizado de modo a fortalecer também o processo democrático. Como bem se vê na atual conjuntura política, o Brasil carece profundamente de novas lideranças.