Gerou forte repercussão em Apucarana o acordo firmado por três supermercados da cidade – Muffato, Cidade Canção e Condor – para funcionar no feriado de Sexta-Feira Santa. Tradicionalmente, esses estabelecimentos fecham na cidade nesta data, considerada sagrada para os católicos. Após reação negativa da Igreja Católica e de outros setores da sociedade, os supermercados decidiram voltar atrás e não vão mais abrir. Prevaleceu o bom senso. Afinal, é preciso respeitar algumas tradições e a Sexta-Feira Santa é um dia de reflexão e meditação para todos os cristãos.
O funcionamento dos supermercados no feriado religioso é o assunto mais comentado de Apucarana nos últimos dias. A reação ao acordo firmado com o sindicato dos trabalhadores gerou, na verdade, um grande mal-estar. Além dos trabalhadores dessas empresas, que ficaram evidentemente revoltados, os católicos consideraram a decisão um gesto de ganância e uma grande afronta à religião.
O padre Roberto Carrara, pároco da Catedral Nossa Senhora de Lourdes, foi a voz mais dura na cidade. Em missas do último final de semana e também em entrevistas à imprensa, ele defendeu abertamente um boicote aos supermercados.
O prefeito Beto Preto (PSD) também se envolveu na polêmica. Ele convocou representantes desses estabelecimentos para uma reunião, quando solicitou que a decisão de funcionar na Sexta-Feira Santa fosse revista.
Por fim, os supermercados adotaram o bom senso e atenderam aos apelos da comunidade apucaranense. É importante respeitar algumas tradições, principalmente religiosas. O lucro não pode ser o único objetivo. É preciso agir de acordo com os anseios e ideais de uma comunidade, como é o caso dos católicos em Apucarana.
Afinal, não deixa de ser contraditório que os supermercados decidam fechar, por exemplo, no Carnaval, que sequer é feriado nacional. Nesse contexto, não tem sentido que a Sexta-Feira Santa, de tanto significado religioso, seja desrespeitada.,
Esse episódio envolvendo os supermercados acaba servindo como mais uma oportunidade de reflexão. Até que ponto a sociedade atual valoriza o lucro? Estamos perdendo ou deixando de lado alguns valores importantes? O aspecto comercial passou a dominar todas as nossas ações?
A polêmica dos supermercados, portanto, pode ajudar os católicos e também os não católicos a refletir e meditar sobre os nossos desafios intrínsecos.