Revelada anteontem, após intervenção da Prefeitura, a interrupção do atendimento obstétrico da Santa Casa de Arapongas - que foi regularizado a partir da contratação de novos médicos - acendeu um alerta entre as autoridades de saúde.
O hospital, que é referência não apenas no município sede, mas em cidades vizinhas em partos de médio e baixo risco, deixou de atender gestantes por cinco dias. O motivo da interrupção, segundo a 16ª Regional de Saúde - a Santa Casa não deu entrevistas ou se pronunciou sobre o assunto - foi uma paralisação de médicos, que cobravam pagamentos atrasados e melhorias nos plantões.
O problema interno veio à tona na madrugada da quarta-feira, quando uma gestante em trabalho de parto não foi recebida no hospital e acabou dando à luz na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.
O caso foi classificado como inadmissível pela Prefeitura de Arapongas, que não foi oficialmente informada dos problemas pelo prestador de serviço. A Santa Casa de Arapongas é um hospital filantrópico. Exatamente por conta das dificuldades envolvidas na prestação deste tipo de serviço e da defasagem histórica das tabelas do SUS, a instituição tem um convênio para repasse extras de recursos junto a prefeitura. Mensalmente, o hospital recebe R$ 160 mil do município exclusivos para manutenção do atendimento obstétrico. O prestador, segundo informou o município, também é contemplado pelo programa estadual Mãe Paranaense.
A interrupção do atendimento e a crise no setor obstétrico coloca em risco uma conquista importante do município em relação aos índices de mortalidade infantil. Em 2017, Arapongas registrou o menor coeficiente dos últimos cinco anos. Foram 9,31 mortes para cada mil nascidos vivos, uma redução significativa em relação ao índice de 2016, quando foram 12,15 para mil nascidos vivos.
A prestação adequada do atendimento hospitalar às gestantes, aliadas ao reforço das ações de prevenção e orientação no pré-natal, é determinante para a manutenção de índices abaixo de dois dígitos. Bem por isso, é preocupante que o hospital de referência simplesmente deixe de atender por alguns dias sem comunicar nenhum órgão competente a respeito da interrupção.
Com a regularização do atendimento, espera-se que a situação não volte a ocorrer e que se abram canais de comunicação. Se há crise ou impasses, que ela seja discutida com transparência, com participação de todos os agentes envolvidos na prestação de um atendimento que é tão importante para a população.
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