O acesso à habitação precisa figurar sempre entre as principais prioridades do poder público. A casa própria é o sonho da maioria dos trabalhadores. No entanto, sem incentivos, fica difícil chegar a esse objetivo. A mão do governo é fundamental. Infelizmente, os programas habitacionais disponíveis estão longe de serem suficientes para atender a demanda.
Na região, o déficit habitacional é de exatas 21.781 moradias, segundo números do banco de dados da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), de Apucarana, que abrange outros 17 municípios do Vale do Ivaí mais Arapongas. O número tem como referência os cadastros feitos entre 2013 até março deste ano.
A quantidade de pessoas na fila de espera é ainda muita alta, principalmente quanto cotejada com as obras previstas. São 2.785 unidades em andamento ou previstas para começar, sendo a maioria esmagadora - 2.091 - previstas somente para Apucarana, município com maior população no Vale do Ivaí. Em Apucarana, em contrapartida, está a maior fila de espera. São sete mil pessoas aguardando por programas habitacionais.
A habitação perdeu fôlego neste mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), infelizmente. É mais um dos inúmeros reflexos da crise política que abala a república e trava a economia, sem contar os erros de gestão e de avaliação de prioridades.
O “Minha Casa, Minha Vida”, inclusive, foi alvo de muitos cortes no ano passado, reduzindo o número de unidades autorizadas. Na semana passada, o governo federal ensaiou uma retomada dos investimentos na habitação, com o lançamento da terceira etapa do programa, que pretende contratar mais 2 milhões de moradias até 2018, que vão demandar R$ 210,6 bilhões. Esta etapa visa atender também famílias que ganham até R$ 2.350 por mês. Apucarana está pré-contemplada nesta fase com 500 casas.
É claro que se trata de uma boa notícia. No entanto, o governo não deveria ter demorado tanto em anunciar a sequência do programa. Não se pode titubear quanto o assunto é habitação. As famílias sonham com a casa própria e a espera é cruel para quem quer se livrar do aluguel. Por isso, investimentos nesse setor precisam ser permanentes, sem hiatos, para reduzir essa fila.