OPINIÃO

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Problema de saúde pública, suicídio não pode ser tabu

Tribuna do Norte

| Edição de 13 de setembro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O suicídio precisa deixar de ser tabu. Somente discutindo o assunto abertamente será possível reduzir o número crescente de casos no país. O suicídio é um problema de saúde pública. Por isso, a importância do Setembro Amarelo, uma campanha criada justamente para tratar desse tema tão delicado.

Dados do Sistema de Informação de Mortalidade, do Ministério da Saúde, mostram que um suicídio é cometido a cada 45 minutos no Brasil. Mais de 90% desses casos, segundo um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), poderiam ser evitados caso essas pessoas recebessem um tratamento adequado.

Ainda segundo o estudo da OMS, 36% dos suicidas têm problemas relacionados a transtornos afetivos (bipolaridade e depressão); 23% são dependentes químicos; e 10% possuem outros transtornos, como ansiedade e esquizofrenia. O restante sofre de outras doenças.

De acordo com dados da 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana, entre janeiro e julho de 2015 foram registrados 16 óbitos por suicídio na região. No mesmo período deste ano, o número subiu para 18, um aumento 12,5%. A maior alta foi na faixa etária entre 30 e 39 anos, que em 2015 não teve registros. Neste ano foram três casos.

A maioria das vítimas de suicídio na região tem entre 40 e 49 anos, respondendo por 33% dos casos. Em seguida, estão as pessoas entre 50 e 59 anos, com 16%, mesmo índice da população entre 30 e 39 anos.

Os números mostram o tamanho do problema. Por isso, é fundamental discutir o assunto. O suicídio, por muitos anos, foi considerado um tema proibido. A menção era vista negativamente, pois ajudaria a estimular novos casos. Hoje, sabe-se da importância de tratar desse assunto como forma de prevenção. Isso porque os suicidas costumam dar “sinais” antes de decidir atentar contra a própria vida. Assim, quando mais cedo a intervenção for feita, maior é a chance de evitar o suicídio.

Algumas mudanças no comportamento requerem atenção especial de familiares, pois mostram uma propensão ao suicídio. Um quadro de tristeza e depressão, associado a manifestações de dor, como declarações “eu queria sumir”, “não aguento mais” ou “eu queria morrer” são típicas de pessoas que precisam ajuda. É preciso prestar atenção nessas situações e ligar o sinal de alerta. Caso contrário, pode ser tarde demais.

Pessoas que já tentaram suicídio alguma vez também merecem atenção redobrada, pois há a chance de tentarem novamente.

O suicídio precisa entrar na pauta das famílias e da sociedade. É o único caminho para reduzir o número de casos.