Assunto que passa ao largo da pauta dos partidos políticos situados à esquerda do espectro político. É mais importante estar ao lado dos pobres, com discursos exaltados, atiçando o conflito de classes, pois, desse modo, a ideologia está sendo difundida e o caldo do materialismo dialético é engrossado (a lógica do marxismo). A igualdade seriam favas contadas, resultado da marcha histórica, bastando um pequeno empurrão, que o paraíso chegaria como fruto do determinismo, ou seja, o que vai ocorrer independentemente da vontade dos homens...
Pelo menos, foi assim que Karl Marx sentenciou! Mas se esse lance demiúrgico não se confirmar, então vamos atiçar as minorias e jogar pais contra filhos, negros contra brancos, trabalhadores contra empresários; e ainda: lutar pela manutenção da escola com partido (o partido deles é claro, com a cartilha de Paulo Freire correndo intocável), “trabalhar” para desorganizar o sistema produtivo, por meio de encargos demasiados e insuportáveis, que a revolução acontecerá fatalmente, por meio da ideologia (a vontade política operando na realidade, segundo os entendimentos de Herbert Marcuse, Lukács e Antônio Gramsci).
Num dos polos da luta, segundo a compreensão desses setores, estão os malfeitores, os gananciosos capitalistas, como se o resultado da produção não se esparrasse por toda a sociedade. Na verdade, se pode dizer que é a existência dos livres mercados, um mecanismo pelo qual o voto impera rotineiramente na economia, seja nas situações de consumo, seja nas situações de investimento, que impulsiona todo o sistema produtivo. E é por meio dele que as riquezas e os bens são criados abundantemente, descontando-se a falácia de que as riquezas são produzidas apenas em favor dos empresários. E os impostos gerados, os empregos, o FGTS, as contribuições para a previdência, os investimentos em tecnologia e máquinas, o aprendizado e treinamento não entram nessa conta? E ainda é preciso considerar que, se os bens não fossem consumidos pelos operários também, o capitalismo não ficaria de pé, porque apenas os ricos não dariam conta do consumo. Elementar, elementar, meu Caro Watson! Daí sim, teríamos o colapso da superprodução previsto por Marx.
A produtividade se realiza no dia a dia, no chão das fábricas e nos ambientes de trabalho, seja qual for natureza da atividade, por meio da busca da eficiência, mas apenas alguns poucos economistas do nosso cenário abordam esse tema desprovidos de demagogia e de interesses folhetinescos e propagandísticos.
Não é sem razão que o salário mínimo do operário americano é quatro vezes superior ao nosso. Bondade, generosidade, força sindical? Não, não! Simplesmente, porque o operário americano tem produtividade bem superior (é evidente que para isso vários fatores estão conjugados).
Essa questão não pode passar ao largo de pessoas bem intencionadas. Assim, tem de ser construída uma agenda que considere a importância da produtividade na economia. Karl Marx já havia compreendido, na sua obra A Ideologia Alemã, que a fonte da abundância reside no aumento da produtividade, ou seja, o aumento do produto por hora de trabalho. A máquina a vapor e o carvão deram a largada.
O que me leva a dizer: o aumento da produtividade resulta de uma combinação de fatores, quais sejam: a) - aumento do estoque de capital, a ser obtido por meio da poupança; b) - aquisição de máquinas modernas (tecnologia); c) - elevação da escolaridade dos trabalhadores e treinamento da mão de obra (nos EUA, a média de treinamento por trabalhador é cento e trinta horas anuais, aqui, entre nós, apenas trinta horas); d) - elevação da capacidade gerencial. E simultaneamente: a) - logística adequada, ou seja, transportes mais baratos e eficientes; b) - carga tributária compatível; c) - melhoria dos serviços públicos ofertados à população, principalmente nas áreas de saúde e de educação.
De outro lado, devemos ter o respeito ao tripé macroeconômico (câmbio flutuante, superávit fiscal e regime de metas para a inflação); ou seja, um basta à gastança desordenada, de modo a não permitir que a macroeconomia saía dos trilhos. Nunca é demais relembrar que a nossa carga tributária, a partir de advento da Constituição de 1988, passou de 24% do PIB para 37%, o que, acrescido de 8% do déficit a conduz ao patamar de 45% do PIB. Está ficando, simplesmente insuportável... bem a gosto dos setores da esquerda!