Padres da Diocese de Apucarana participaram de um encontro, anteontem, para discutir o projeto de construção de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) no Rio Ivaí. A reunião teve a participação de sacerdotes de vários municípios e é o primeiro passo para que a Igreja tome uma posição oficial a respeito do projeto.
O empreendimento tem outorga inicial da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas tem um longo caminho a percorrer antes de obter aprovação de todos os órgãos competentes envolvidos em um projeto deste porte.
Um dos pontos obrigatórios em se tratando de uma obra de tal impacto no meio ambiente é exatamente a discussão popular que, para efeitos legais, é realizada através de audiências públicas. O empreendimento prevê uma unidade de potência instalada de 28,1 MW e área de reservatório de 259 hectares, 180 hectares do próprio leito do rio e 79 hectares fora do leito. O projeto básico prevê a construção de uma barragem a seis quilômetros abaixo da balsa do Marolo.
Pré audiências, sem valor legal dentro do processo de licenciamento já foram realizadas nos dois municípios diretamente ligados ao projeto: Jardim Alegre e Grandes Rios. Nestes primeiros encontros, a comunidade se mostrou inicialmente favorável à ideia.
O envolvimento da população dos dois municípios é imprescindível no processo de licenciamento da obra, contudo, esta é uma discussão que envolve interesses de toda a região e segue além. O Rio Ivaí é o segundo maior rio em extensão no Estado, percorrendo 680 km entre sua nascente em Prudentópolis - centro sul do estado - até desaguar no Rio Paraná no município de Doutor Camargo - no Noroeste. A bacia do Rio Ivaí abrange uma população de 1,2 milhão de paranaenses, de modo que os efeitos da barragem importam, em maior ou menor grau, a toda esta população envolvida.
Bem por isso, a discussão do projeto deve ser ampliada para toda a região para que não restem dúvidas a respeito dos ganhos a médio e longo prazo que a implantação de uma PCH pode trazer a região e, de outro lado, dos impactos ambientais e sociais embutidos no empreendimento. Na balança do desenvolvimento a de se pesar uma série de variáveis que precisam ser amplamente conhecidas pela população envolvida.
O debate iniciado pela Igreja não é apenas oportuno, mas necessário e essa é uma postura que deveria ser adotada também por outras entidades da região.
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