OPINIÃO

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Queda do PIB confirma colapso da economia

Da Redação

| Edição de 10 de março de 2017 | Atualizado em 09 de março de 2017

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A economia brasileira chegou ao fundo do poço, registrando uma recessão inédita na história do país. Os anos de 2015 e de 2016 foram os primeiros na série histórica de contas nacionais a apresentarem resultados negativos anuais consecutivos desde 1948, segundo levantamento divulgado nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2015, a economia caiu 3,8%; e em 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 3,6%. Não resta outro caminho ao Brasil a não ser promover uma intervenção concreta na economia, com menos demagogia, implementando as reformas necessárias. Caso contrário, será muito difícil reverter esse quadro. 

A situação só não é pior porque os dados divulgados pelo IBGE mostraram que a retração foi mais leve no ano passado e há uma expectativa, mesmo que lenta, de recuperação. Mais uma vez o agronegócio deve salvar a “lavoura” da economia nacional, com promessa de safra recorde neste ano, ajudando a minorar a grave situação econômica do país. 

O resultado do PIB no ano passado levou a economia brasileira de volta ao mesmo patamar do terceiro trimestre de 2010. Além da profundidade, a recessão no período se destaca por sua dispersão em todos os setores da economia, algo incomum em períodos de crise anteriores. A construção civil, que corresponde a cerca de 50% dos investimentos, é a principal responsável por essa redução. O segmento foi afetado pela crise no setor imobiliário e pela Operação Lava Jato, que investiga as maiores empresas do setor. A restrição do acesso a crédito nos bancos e as taxas de juros em alta também pressionaram os investimentos para baixo.

Para 2017 e também 2018, a situação é preocupante. O tombo da economia nos últimos anos deixa uma herança complicada. Esses dados econômicos são perversos para a realidade do trabalhador, que vê seus empregos tolhidos. Do final de 2014 até o do ano passado, 2,6 milhões de brasileiros perderam o emprego, elevando para 12,3 milhões o total dos que andam em busca de uma oportunidade de trabalho. 

Diante desta retração sem precedentes, não resta outro caminho a não ser unir esforços para sair do “buraco”. O quadro atual inquieta todos os brasileiros, mas a saída está nas mãos dos políticos. É preciso buscar maneiras de amenizar as turbulências políticas, apesar da necessidade da manutenção da Operação Lava Jato, e aprovar as reformas necessárias, como a tributária, trabalhista e previdenciária, mesmo que sejam duras. Os números da economia apenas reforçam essa necessidade.