OPINIÃO

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Reforma do ensino médio caminha a passos lentos

Da redação

| Edição de 26 de fevereiro de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Estagnado e sem motivação, o ensino médio é hoje o maior motivo de preocupação na educação brasileira. É nos três anos que sucedem o ensino fundamental que se encontrar os piores índices e os maiores problemas.

Um deles é o esvaziamento. Segundo informações do Censo Escolar de 2018, nos últimos cinco anos, a queda total do número de matrículas no ensino médio foi de 7,1%. Por conta disso, mais de 900 mil adolescentes de 15 a 17 anos estão fora da escola e não concluíram o ensino médio.
Na região a situação não é diferente. Em Apucarana e Arapongas, o número de matrículas do ensino médio recuou 14,4% entre 2015 e o atual ano letivo iniciado há algumas semanas. Isso implica em uma redução de alunos de 1,1 mil. Reflexo do esvaziamento, o ensino médio noturno, ofertado principalmente para o aluno que já está no mercado de trabalho, atualmente se concentra em apenas duas escolas de Apucarana.
O desempenho do ensino médio também preocupa. Dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), divulgados no ano passado, apontam que quase 70% dos estudantes que concluíram o ensino médio no país apresentaram resultados considerados insuficientes em matemática e português. 
Em português, os estudantes alcançaram, em média, 268 pontos, o que coloca o país no nível 2, em uma escala que vai de 0 a 8. Até o nível 3, o aprendizado é considerado insuficiente pelo MEC. Em matemática, os estudantes alcançaram, em média, 270 pontos, o que coloca o país no nível 2.
Os motivos da crise no ensino médio estão dentro e fora da escola e envolvem obrigatoriamente a situação econômica nacional. Os jovens deixam a escola por uma série de fatores, incluindo a dificuldade de equilibrar trabalho e vida escolar e também por não relacionarem o estudo com melhores condições de vida no futuro, é o chamado ‘desengajamento’ dos jovens. 
Para reverter o quadro, muito se discutiu a respeito da reforma do ensino médio, que promete flexibilizar o ensino e torná-lo mais próximo dos estudantes. Esse, entretanto, é um processo que caminha a passos lentos. A  Base Nacional Comum Curricular para o ensino médio, por exemplo, foi aprovada em dezembro do ano passado. Ou seja, há um grande caminho a percorrer até que essa reforma seja efetivamente implementada. Melhorar a qualidade e a adesão ao ensino médio é urgente.