Os protestos dos caminhoneiros brasileiros são justificados pelos preços estratosféricos dos combustíveis. No entanto, a radicalização do movimento acaba penalizando toda a sociedade, que é refém do transporte rodoviário. Além da falta dos combustíveis nos postos, os bloqueios estão provocando desabastecimento em supermercados e colocando em risco a vida de inúmeras pessoas, com a falta de medicamentos e de oxigênio em muitos hospitais. Por isso, é preciso buscar uma solução para colocar fim ao impasse.
A mobilização dos caminhoneiros tem a simpatia da maioria da população, é verdade. Afinal, todos sentem no bolso o efeito do preço alto da gasolina. No entanto, os reflexos da mobilização começam a ficar desastrosos. A própria categoria precisa definir um limite e buscar negociar uma saída. Defender o caos pelo caos não é uma boa estratégia. A opinião pública pode mudar.
Embora o Palácio do Planalto tenha sido extremamente lento nas negociações, houve uma proposta e esta foi acatada pela maioria dos sindicalistas e representantes da categoria. Mesmo assim, os protestos continuam na maioria dos estados, causando imensos reflexos no abastecimento das cidades, com prejuízos para a indústria, os serviços públicos e os atendimentos de saúde.
Os caminhoneiros precisam, em primeiro lugar, unificar sua pauta de reivindicações. Dificilmente, haverá um acordo com essa pluralidade de representação da classe.
É verdade também que muitos grevistas não querem diálogo e há casos de truculência. O movimento na BR-369, no Distrito de Aricanduva, em Arapongas, por exemplo, está parando motoristas de caminhonetes e utilitários. Eles revistam esses veículos como se policiais fossem, em um total desrespeito aos direitos constitucionais das pessoas. Esse comportamento é reprovável. A população está com os caminhoneiros, mas atos de extremismo não podem ser tolerados.
Encurralado pela própria incompetência na condução da greve, o governo federal acionou as forças armadas e obteve uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) que determina a desobstrução das estradas. É algo perigoso.
Diante desse contexto, é fundamental bom senso de ambas as partes. Os caminhoneiros são uma categoria importante para o país, como o próprio desenrolar da paralisação comprova, mas não podem agir com irresponsabilidade. Da mesma forma, o governo federal não pode forçar uma solução e ameaçar os grevistas. É preciso continuar dialogando. A população, como sempre, está sofrendo as piores consequências.