O afastamento da presidente Dilma Rousseff da presidência da República abre a oportunidade de uma nova era no país. O PT encerra um ciclo de 13 anos no Palácio do Planalto. O ciclo petista, principalmente nos mandatos de Dilma, foi extremamente nefasto para o Brasil. A nação mergulhou numa crise econômica sem precedentes na sua história recente, com a volta da inflação, da recessão e do desemprego.
O modelo do PT de governar se mostra completamente ultrapassado e a sociedade exige mudanças. A população vem sentindo na pele a incapacidade de gestão. A inflação está corroendo o poder de compra do trabalhador, sem contar a dificuldade em herdar os compromissos assumidos com o crédito farto de anos anteriores, que acabou sendo uma armadilha para muitos brasileiros.
Oficialmente, as pedaladas fiscais derrubaram a presidente do cargo. Na prática, porém, foi a crise econômica que impulsionou a sua derrocada. Escolhas equivocadas no final do primeiro mandato e o início do segundo colocaram o Brasil no rumo da recessão. A petista, em nenhum momento, conseguiu apresentar ao país uma proposta de reverter essa situação. Pelo contrário. Sempre se manifestou de forma atabalhoada, constrangendo aqueles que esperavam alguma ação mais concreta de reverter o quadro negativo.
Politicamente, Dima foi um grande fiasco. A presidente da República foi completamente dominada na articulação pelo hoje presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Réu do Supremo Tribunal Federal (STF), Cunha não tomou conhecimento do cargo de Dilma e foi o principalmente responsável por sua queda.
Orgulhosa da sua fama de durona, Dilma sempre desdenhou de deputados e senadores. Os mesmos que hoje a derrubaram. A arrogância ou excesso de confiança custou muito caro - no caso, o mandato - à petista.
O próprio vice Michel Temer (PMDB), mesmo com 1% de intenção de votos na próxima eleição, ganhou apoio de boa parcela da população para assumir o cargo. Até mesmo sua eventual falta de legitimidade não foi argumento suficiente para Dilma conquistar apoio. A petista, inclusive, teve vários meses para conquistar a adesão de 142 deputados na Câmara para evitar o impeachment. Não conseguiu, porque os deputados que ela muitas vezes ofendeu decidiram não atender aos seus apelos.
O impeachment ainda precisará ser confirmado daqui a 180 dias. Se não houver nenhum contratempo de última hora, certamente Dilma Rousseff não conseguirá o apoio necessário para isso. A base governista está deteriorada, a sociedade clama por mudanças, o PT está mais desgastado do que nunca...
Cabe agora a Michel Temer a missão de unificar o país. Se agir de forma inteligente, o peemedebista irá sacramentar o desfecho dessa era petista marcada pela corrupção e incapacidade administrativa.