O resultado das urnas no último domingo traz um recado à classe política: a população está cansada de velhas práticas e exige uma nova postura de seus representantes. Além da grande renovação no Legislativo e no Executivo de muitos municípios, os índices de abstenção e de votos brancos e nulos reforçam o desgaste e a frustração dos eleitores com o sistema vigente.
Embora a eleição fosse municipal, a crise nacional dos poderes influenciou o cidadão na hora do voto. De modo geral, a população não suporta as mesmas figuras ocupando cargos políticos e a renovação acabou sendo um caminho óbvio como resposta. Abrir mão do voto também foi uma maneira de dizer que “não concordo com tudo isso que está aí”.
De 20 prefeitos da região, 10 não conseguiram se reeleger. Em eleições anteriores, apenas uma gestão catastrófica impedia a reeleição. Afinal, com a máquina nas mãos, a vitória era praticamente certa. Desta vez, os eleitores optaram por mudar.
O ponto fora da curva está em Apucarana, onde o atual prefeito foi reeleito e ainda com 86,11% dos votos válidos. No entanto, é um caso pontual, fruto principalmente do bom desempenho em seu mandato, o que justifica essa grande votação.
Na Câmara de Apucarana, no entanto, a renovação foi grande. Nove dos 11 vereadores buscavam um novo mandato. Destes, apenas três se reelegeram.
A questão nacional influiu também, mas no caso do Legislativo apucaranense há um desgaste bem particular. A Câmara, nas últimas legislaturas, cansou de criar polêmicas com a população, principalmente ao insistir – sem êxito – em aumentar o número de cadeiras. Nessa busca desenfreada, os vereadores votaram projetos de constitucionalidade duvidosa e que acabaram derrubados judicialmente.
Essa postura custou bastante caro. Não foi coincidência que os maiores defensores do aumento de cadeiras na Câmara tiveram votações muito baixas. Foi uma clara e inequívoca resposta do eleitorado.
Os políticos precisam interpretar os resultados das urnas como uma demonstração de força da população. Quem dá e tira o mandato é o povo. É por isso que o exercício do cargo deve ser conduzido em sintonia com o pensamento do cidadão. Em Apucarana, muitos vereadores atuaram em descompasso com o povo e pagaram o preço por essa arrogância.
O povo é soberano. É quem, no final das contas, decide. O eleitor, muitas vezes, comete erros históricos em suas escolhas, mas, em muitas outras, responde e faz justiça. O político não pode jamais desrespeitar o senso comum e a vontade da maioria.