OPINIÃO

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Se ficar o bicho come; se correr o bicho pega

Por Iirineu Berestinas, de Arapongas

| Edição de 03 de dezembro de 2015 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A sabedoria popular está, com frequência, orientando os nossos caminhos. Tece, destece e entrega o tapete pronto. É uma sociologia de estradas mais curtas. Não necessita de sofisticadas teorias para abrir as portas do entendimento. É rápida, concisa, conclusiva e digestiva.

O que nos obriga a fazer os seguintes comentários: é absolutamente necessário que o dólar permaneça valorizado por um bom espaço de tempo para compensarmos a valorização do real que ocorreu, por determinação do governo Dilma, em seu primeiro mandato. Tenho tentado demonstrar, aqui neste espaço, que esse expediente foi praticado, ao lado do controle de preços administrados (energia, combustíveis e passagens do transporte coletivo) para não permitir que a inflação desandasse, de vez, como mero expediente eleitoral. Já os outros instrumentos, até bem mais eficientes, ou seja, a política monetária (juros, crédito e quantidade de dinheiro circulando), salários ajustados na bitola da produtividade e contas públicas organizadas, de modo a não produzir déficits orçamentários, foram abandonados no embalo de produzir favores por atacado...

O leitor que tem acompanhado a dinâmica da nossa economia, por certo, me dará razão. Desprezaram-se conhecimentos ao dispor dos governantes, para empreenderem a viagem eleitoral, que não media as consequências do que poderia ocorrer, com a presença do marqueteiro João Santana, idealizador de muito cinismo e distorções, ancorados na ignorância de muitos.

Assim, ficaremos desprovidos de poder contar com o real valorizado para combater a inflação, por um bom período de tempo, a menos que deixemos as indústrias perecerem, perdendo definitivamente a competitividade, e, de quebra, levemos as contas correntes ao colapso.

Hoje, a agenda corretiva se apresenta com muita clareza: ajuste fiscal que se realize pela redução dos gastos do governo (e não pela reinserção da CPMF e introdução de novos impostos, como deseja o ministro Joaquim Levy); aumentos salariais na bitola da produtividade; fim dos repasses ao BNDES, patrocinados pelo aumento da dívida pública; desvinculação orçamentária de despesas; reorientação da nossa diplomacia, de modo a descartamos o inoperante concerto ideológico do Mercosul, no qual, a participação da Venezuela de Maduro desfaz todo vozerio da esquerda brasileira em favor dos direitos humanos, numa reveladora demonstração de que essa bandeira é apenas tática e não um valor humanitário intrínseco, ou seja, em si mesmo, a ser preservado como um bem permanente de todos os homens, independente do regime político vigorante (morre mais um oposicionista ao regime de Maduro, sob o silêncio cúmplice de defensores dos direitos humanos nestas plagas).

A verdade é que não há mais espaço para tergiversações. Todos os erros que o governo poderia cometer, já o fez, e não há mais margem para seguir em frente. Tudo, porém, se traduz em credibilidade para governar (o que exige, derradeiramente, conversão à pauta aqui mencionada), mudando bruscamente o eixo da macroeconomia, em absoluta aceitação de que o "projeto" está sendo aposentado pelo bem do País, tarefa nada fácil, pois supõe o rompimento com as ideias próprias e dos companheiros de longa marcha. Veja o leitor se houve razão ou não em nominar este texto da forma como o fiz.