OPINIÃO

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Ser professor: pra quê mesmo?

Por Ana Paula Trevisani, professora do curso de Letras/Inglês da Unespar em Apucarana

| Edição de 13 de junho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Ao atentar às responsabilidades atribuídas à escola pelas atuais políticas educacionais, vejo que o professor, hoje mais do que nunca, tem nobre e desafiadora tarefa a cumprir: integra a escola da luta pela Educação para Todos, pela Inclusão Social, pela Consciência Ambiental, pela formação para a Cidadania e para o mercado globalizado. Aparentemente, tais políticas caminham a determinar que a escola do conhecimento, outrora conhecida como disciplinadora e elitista, na atualidade, seja vista como escola para a humanização, para a ética social, ou mesmo para a “redenção” das classes menos favorecidas. Assim, convido o leitor a ler e refletir sobre até que ponto estas políticas de fato valorizam a educação e os profissionais da educação em nosso país.

Primeiro, gostaria de lembrar que, no percurso entre estabelecimento de políticas educacionais e sua prática, na escola pública, está o profissional docente, o qual, diria, está mais para a escola do que para as políticas, já que vive a escola, mas não participa, propriamente, da elaboração das políticas, apesar de ser ator central em sua realização – incoerência tal que não entrarei no mérito neste momento. Dia a dia, além de submersos na burocracia da instituição escolar, professores, ao pensarem em construir conhecimento com seus alunos, precisam pensar, antes de mais nada, em como lidar com carências diversas de crianças à margem da sociedade, que muitas vezes reagem com violência e, em geral, desacreditam da educação escolar como meio que os qualifiquem para entender e enfrentar, com um mínimo de sucesso, os desafios que permeiam sua vida social. A escola reproduz as contradições e incoerências de nossa sociedade com veemência.

Nesse sentido, parece-me que, hoje, cobrar do professor e da escola pública níveis mais altos de rendimento escolar é o mesmo que cobrar do médico uma população saudável quando não há condições mínimas que asseguram o bem-estar social das pessoas; por exemplo: tratar um cardíaco a quem faltam condições para dispor de boa alimentação, de medicamentos afins e de formas de trabalho para manter uma situação de vida mais apropriada ao seu estado de saúde; curar as feridas da criança que sofre abuso de pais alcoólatras e violentos; ou impedir que morra no parto jovem gestante e seu bebê, com gravidez de sério risco porque é usuária de drogas. Predominam soluções paliativas que não estão endereçadas à natureza dos problemas. Na educação, a Reforma do Ensino Médio e a BNCC são exemplos disso. 

Reconheçamos que o professor é essencial à sociedade, mas cada vez menos esse profissional quer atuar na educação pública – e refiro-me ao profissional por vocação. A meu ver, tratar a Educação sem tratar o social para que propicie ao indivíduo condições mínimas à aquisição do conhecimento é deixar o professor doente; é exigir demais dele, denegrindo sua imagem diante da sociedade; é reformular políticas e currículos com retórica renovada, mas em essência, repleta de ideais impraticáveis e inalcançáveis; é investir em tecnologias à escola, sem prover estrutura ou condições mínimas para que sejam utilizados e aproveitados; é jogar dinheiro público no lixo!