Façamos uma reflexão das crises que o país vem passando, principalmente esta dos combustíveis, deflagrada após a greve dos caminhoneiros. Isto vem desde que os governos anteriores optaram pelo modal rodoviário, deixando de lado as ferrovias e hidrovias, talvez pensando nos impostos que poderiam arrecadar junto à indústria automotiva.
A Pebrobras adotou em julho de 2017 a política de preços dos combustíveis em cima da flutuação cambial e do mercado internacional. Essa decisão ocorreu porque a empresa percebeu que a política de preços adotada equivocadamente no governo anterior foi usada por motivos políticos, muitas vezes para conter a inflação, e garantir votos nas eleições. Com isso, a Petrobras perdeu muito dinheiro.
Agora, a alta do dólar e o colapso na produção do petróleo na Venezuela, mais a turbulência dos Estados Unidos com o Irã, refletiram nos preços no nosso país, estourando a revolta não só dos caminhoneiros, como da população em geral.
De qualquer forma, a crise dos combustíveis mostra um grave problema: não podemos depender do combustível fóssil. É preciso repensar na necessidade de estimularmos os biocombustíveis - etanol e biodiesel - como alternativas importantes para o Brasil.Temos que ter políticas para o etanol, principalmente, que tem condições de ganhar mais espaço no país. O preço desse combustível pode ser 50% o da gasolina e não o que está hoje, na casa de 70%. Da mesma forma, o Brasil precisa dar condições para produzir mais biodiesel.
É preciso também investir em ferrovias. Temos no Brasil 29 mil km de trilhos, enquanto a China tem 86 mil km; Rússia, 87 mil km; e Estados Unidos, 225 mil km... Investir em hidrovias também é fundamental. Temos condições de aumentar o uso desse modal significativamente. No Brasil, 90% do transporte de passageiros e 60% do transporte de carga são pelo modal rodoviário ( CNT). É um erro.
Nesse contexto, investir em ferrovias e hidrovias, e fomentar o uso de combustíveis renováveis são mais viáveis economicamente e, além disso, trazem benefícios diretos ao meio ambiente.
O resultado desse modelo atual, focado apenas nas rodovias, é o grande transtorno de desabastecimento e o prejuízo para vários setores da economia. Só no setor agropecuário, as perdas foram de R$ 6,6 bilhões (CNA).
Diante da crise atual, ficou clara a impotência deste governo federal, assim como de outros anteriores. Por isso, para o futuro, é necessário que a sociedade civil, através de suas representações setoriais (CNT, CNA, CNI e tantas outras) repensem e organizem suas ideias para melhorar a economia e a vida dos brasileiros, deixando de agir de forma individual para cada setor apenas.
Não podemos mais esperar que o governo resolva tudo. Além do quê, ultimamente, o que se vê é que quem está governando só pensa em maneiras de se perpetuar no poder.