Seja por conta de uma experiência pessoal, orientação religiosa ou mesmo por empatia, a vontade de ajudar o próximo é a base da ação voluntária. Matéria publicada neste último domingo na Tribuna mostra como uma mãe de São João do Ivaí criou, a partir do nascimento da filha, toda uma rede de apoio para crianças que nasceram com problemas congênitos frutos da Síndrome da Brida Amniótica.
Baseada em um município pequeno - são pouco mais de 11,1 mil moradores -, a entidade criou laços com voluntários que estão em outros municípios e estados e auxiliam tanto na confecção de próteses como na adaptação das crianças ao dispositivo.
Não à toda o voluntariado é chamado de terceiro setor. Atuando nas mais diversas frentes, as chamadas entidades suprem demandas que o Estado nem sempre vê, ou se vê, não consegue solucionar.
No Brasil, ainda faltam informações mais apuradas sobre o impacto do voluntariado. A pesquisa mais recente divulgada em 2015 pela Fundação Itaú Social aponta que 11% da população brasileira são voluntários e um número quase três vezes maior (28%) já realizou algum tipo de atividade formal não remunerada para ajudar o outro em algum momento. Ou seja, três em cada dez brasileiros já realizaram algum tipo de ação voluntária.
Há quem diga que é pouco, percentualmente falando. E realmente é. No índice global de voluntariado, o campeão é Myanmar - país asiático onde metade da população realiza algum tipo de trabalho voluntário e outros 92% doam recursos para filantropia. Os dados são de 2015, compilados pela entidade britânica Charities Aid Foundation.
De outro lado, esses 11% da população que trabalham de forma voluntária representam 21 milhões de pessoas, o coloca o Brasil em 10º no índice quando o cálculo é sobre em números absolutos.
O fato é que o trabalho voluntário produz impacto tento no desenvolvimento social quanto na economia dos países e comunidades em que está inserido.
Estudos realizados do Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), apontam que a inserção do voluntariado pode impactar positivamente em 5% no Produto Interno Bruto (PIB) dos países.
É hora de repensar o conceito de que o voluntário compete com ou diminui as responsabilidades do Estado em relação à garantia dos direitos da população. Esse pensamento é ultrapassado. Por todos esses motivos, o trabalho voluntário é algo que deve ser apoiado e incentivado, inclusive entre as crianças, como forma de criar um país não apenas mais solidário, mas com maior participação popular no âmbito das ações sociais.
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