É preciso buscar um consenso para evitar o prolongamento da greve dos professores e de outros servidores estaduais do Paraná. A paralisação traz enormes prejuízos à população, principalmente aos estudantes, que terão o ano letivo prejudicado com o movimento iniciado na última segunda-feira.
A Secretaria de Estado de Educação (Seed) informou que, dificilmente, as escolas estaduais ocupadas por estudantes terminarão o ano letivo de 2016 em dezembro. O quadro se agravou com a greve dos professores.
Hoje, representantes do governo e do funcionalismo vão se reunir em Curitiba. O encontro é fundamental para definir os rumos da mobilização da categoria. Além dos professores e funcionários da rede estadual de ensino, estão em greve professores universitários e policiais civis.
Os professores e as demais categorias cobram o cumprimento do acordo que pôs fim à greve de 2015. Na oportunidade, o governo estadual definiu o escalonamento do reajuste salarial do funcionalismo. Em janeiro de 2017, seria paga aos servidores a inflação deste ano mais 1%. No entanto, o governo estadual informou há duas semanas que não terá condições financeiras de cumprir o acordo, afirmando que as finanças estaduais podem entrar em colapso caso o reajuste seja confirmado, e mandou um projeto à Assembleia revogando o aumento salarial. A reação foi imediata, principalmente dos professores, que anunciaram greve. O Estado, então, recuou e suspendeu a tramitação da matéria. Agora, a categoria exige a retirada oficial da pauta e o pagamento dos compromissos firmados na paralisação de 2015.
A situação da educação paranaense é delicada e exige bom senso de todas as partes. No caso das ocupações, a movimentação dos estudantes é um grito de protesto contra a realidade das escolas, mas a questão do ensino médio não parte do governo do Paraná. A reforma foi proposta pelo governo federal e o Estado já se posicionou que não colocará em vigor as mudanças propostas. Ou seja, o que poderia ser feito pelo Estado já foi feito, inclusive com reuniões e debates em todo Estado. É preciso agora avaliar se as ocupações já não atingiram seus objetivos e se não é hora de retroceder para o bem comum da classe estudantil, ainda mais às vésperas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
A questão dos professores exige uma conversa clara e transparente. É essencial encontrar uma solução nesta reunião de hoje, sem postergações. O governo e a categoria devem ceder, cada um pouco, e garantir a retomada das aulas.
O maior prejudicado é o estudante que apenas quer ir para as salas de aula e concluir seu ano letivo. É preciso respeitar o direito de quem quer estudar. Que as partes tenham sapiência nesta reunião de hoje em Curitiba.