OPINIÃO

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Um projeto para ampliar a reciclagem em Apucarana

Da Redação

| Edição de 03 de fevereiro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Apucarana encaminha todos os meses cerca de 2,2 mil toneladas de lixo para o aterro sanitário do município. Boa parte deste volume é formado de material orgânico, um volume que poderia ser reduzido pela metade, representando uma economia mensal de R$ 150 mil em termos de custo para o município. A estimativa é do Conselho do Meio Ambiente, que defende a implantação de um programa municipal de compostagem.
A ideia é das mais simples. Incentivar a população e grandes produtores deste tipo de lixo - caso de restaurantes, entidades, escolas entre outros -, a adotar aquela velha prática de antigamente de separar cascas de alimentos para transformar em adubo orgânico em um sistema melhorado, que torna o processo mais rápido, limpo e eficiente. O que a ideia tem de simples, tem de revolucionária em termos de política pública de meio ambiente.
Assim como os materiais inorgânicos, que ganharam inicialmente a atenção dos programas de reciclagem por conta de seu valor de mercado, o lixo inorgânico não é necessariamente rejeito e encaminhar esse material para o aterro é desperdício tanto de dinheiro público quanto de ativo ambiental.
O momento para discutir o papel do orgânico dentro do processo de reciclagem não poderia ser melhor, principalmente em Apucarana, onde a coleta do reciclável, ainda que com suas falhas e dificuldades, é algo consolidado na prática da população - que aprendeu a separar o lixo e cobrar o serviço - e na administração pública, que assumiu seu papel dentro do processo.
Para ampliar uma prática que já vem dando certo é preciso um incentivo. Nesse sentido, a proposta do Conselho do Meio Ambiente chega para corrigir um grande erro das políticas públicas de resíduos sólidos, que deixaram de incluir o lixo orgânico no ciclo da reciclagem.
Por anos relegado em segundo plano no processo, o material orgânico começa a ganhar papel de destaque na discussão. Contudo, apesar de popular na internet, nos sites ambientais, ainda falta muito informação a respeito do processo de compostagem, de como funciona e como pode ser feito. O simples fato de levantar essa bandeira e começar a orientar a população nessa possibilidade de contribuição com o meio ambiente já é um excelente começo para esse projeto.
Mais que obter um retorno material - no caso, o adubo - o processo tem como grande mote a redução do volume de resíduo produzido. O custo de implantação de um aterro e, posteriormente, de recuperação dessas áreas é absurdamente alto. Em todo mundo, a discussão ambiental reside na questão do consumo sustentável, na adoção de um estilo de vida que exija menos recursos naturais, que gere menos rejeitos. Esse é um caminho que o município precisa seguir.