Em uma campanha que vai entrar para a história como o primeiro pleito em que as redes sociais foram o principal espaço de debate e disputa de votos, não são apenas os candidatos que estão sob a mira das aparentemente inevitáveis fake News.
As urnas eletrônicas e, portanto todo o sistema eleitoral brasileiro, também estão sob um ataque crescente. A credibilidade do voto eletrônico, elogiado no mundo inteiro pela segurança e tecnologia empregada, vem sendo colocada em xeque por uma enxurrada de vídeos, falsas notícias e teorias conspiratórias.
No universo pantanoso das redes sociais, a situação ficou pior após o primeiro turno das eleições. No dia do pleito, vídeos grotescamente manipulados pipocaram nos aplicativos de mensagens de eleitores de norte a sul do país.
Como resposta, o Tribunal Superior Eleitoral tomou algumas medidas. Uma delas foi lançar uma página na internet para ajudar a esclarecer o eleitorado sobre 'informações falsas e falaciosas'. O órgão também criou um novo protocolo para que as denúncias feitas por cidadãos nas seções eleitorais sobre irregularidades no processo de votação sejam registradas em tempo real e disponibilizadas online para acompanhamento da apuração do caso. A ideia é dar mais transparência ao processo e separar, de início e em tempo real, situações reais e fake news.
Vale ressaltar aqui que a segurança da urna eletrônica não apenas é fiscalizada por autoridades nacionais através de auditorias abertas a partidos, entidades e qualquer interessado - o que foi feito nesta semana em Apucarana e Arapongas - e também em estudos feitos periodicamente com especialistas em software, mas também por observadores internacionais.
A Organização dos Estados Americanos (OEA), por exemplo, comanda neste ano uma missão de 40 observadores que acompanham as eleições brasileiras. Foram inspecionados 80 centros de votação em 12 estados no primeiro turno. Após o pleito, a missão - que retornará no segundo turno - classificou o processo como seguro, mas destacou uma preocupação com as fake news e a desinformação.
Não é de hoje que a falta de controle e o impacto negativo das redes sociais na sociedade é motivo de discussão e preocupação. Bullying virtual e nudes de vingança são alguns dos comportamentos criminosos potencializados a níveis virais pela tecnologia das redes sociais.
Não é a segurança da urna eletrônica que precisa ser questionada. Se existe uma coisa que precisa ser urgentemente repensada pela sociedade atual é a forma de interação e a dimensão que as redes sociais tomaram na vida das pessoas.
OPINIÃO
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