OPINIÃO

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Vacinação precisa se tornar pauta prioritária da saúde

Da Redação

| Edição de 12 de julho de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Após conseguir certificação de erradicação do sarampo em 2016 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil atualmente está em alerta por conta de um surto em curso da doença, que é altamente contagiosa, com potencial de causar sequelas graves e a morte de crianças. Os números de infecções mudam dia a dia. Além dos surtos no Amazonas e Roraima que somam mais de 460 casos e duas mortes, registros da doença têm aparecido no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rondônia.

E não é apenas o sarampo que vem preocupando o Ministério da Saúde. No mês passado, o órgão também informou haver alto risco de retorno da poliomielite em pelo menos 312 cidades brasileiras, onde a cobertura vacinal não chega a 50% do público-alvo. A doença é considerada erradicada no continente desde 1994. A preocupação com a pólio aumentou após a identificação de um caso suspeito na Venezuela - que foi descartado pela OMS - e a circulação do vírus em 23 países nos últimos três anos.
Doenças que pareciam ser apenas uma triste lembrança do passado se tornaram um risco real para a população. Um perigo que vem crescendo assustadoramente por conta da baixa imunização. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações, em 2017 o Brasil atingiu o menor nível de vacinação de crianças dos últimos 16 anos.
A redução de cobertura envolve doenças gravíssimas como as já citadas poliomielite e sarampo, além da meningite e difteria. A vacina Tetra Viral, que previne o sarampo, caxumba, rubéola e catapora, apresentou o menor índice de cobertura: 70,69% em 2017. 
A redução do índice vem se acentuando nos últimos anos. A taxa de vacinação em crianças menores de um ano era considerada estável até o ano de 2015, quando os índices ainda estava satisfatórios, mas já apresentavam queda.
Em 2016, seis vacinas do calendário ficaram abaixo da meta. Em 2017, todas as vacinas do calendário infantil estão abaixo dos 95%.
Especialistas apontam vários motivos para redução. O primeiro deles é a chamada “percepção de risco”, ou seja, como as doenças estão erradicadas ou praticamente erradicadas, a população deixa de temer seus efeitos e possibilidade de contágio. Questões de logística e até o movimento anti-vacina, que ainda é incipiente no Brasil, mas vem crescendo no mundo completam o quadro. 
Dar pouca importância para vacinação é um retrocesso inaceitável e muito perigoso que precisa ser combatido com urgência. O Paraná deu um passo importante nesse sentido com a entrada em vigor da Lei nº 19.534, de 4 de junho, que torna obrigatória a apresentação da carteira de vacinação atualizada para matrículas de estudantes da rede pública e privada de ensino. Restringir acesso a serviços é uma boa política, mas temos que ir além, para que a vacinação se torne prioridade na pauta de saúde.