OPINIÃO

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Violência doméstica mostra que temos muito a avançar

Da Redação

| Edição de 16 de maio de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O aumento no número de casos de violência doméstica computados pela Delegacia da Mulher de Apucarana neste início de ano é um indicador preocupante. Segundo o órgão, houve uma alta de aproximadamente 80% nos números, que majoritariamente são de Apucarana, mas também abrangem Cambira e Novo Itacolomi, cidades que formam a Comarca local.
Todo e qualquer tipo de violência precisa ser combatido com veemência. As 270 ocorrências de agressão registradas contra mulheres só neste ano mostram como ainda é preciso avançar nesta questão. A dificuldade nestes casos é a própria natureza dos casos: acontecem dentro das casas, onde muita gente ainda acredita ser ambiente que deve se manter imaculado, sem qualquer “invasão” de terceiros e que funciona dentro de regras específicas e particulares. Em outras palavras, local onde “não se mete a colher”.
Porém, a sociedade não pode tolerar números tão altos: em média, duas mulheres denunciam terem sido vítimas de violência doméstica todos os dias em Apucarana. Por isso, o ato de intervir em situações de perigo iminente, tem que ser encarado como necessário. As pessoas precisam entender que o bem-estar de seus vizinhos também lhes diz respeito. Afinal, vivemos em uma sociedade que, apesar do ‘clima de Fla-Flu’ reinante em boa parcela da população, ainda depende que seus membros cooperem.
No entanto, como afirma a própria delegada Sandra Nepomuceno, este crescimento também pode ter seu lado positivo. O aumento no número de registros mostra que tem havido um avanço nas denúncias, ou seja, mais registros têm sido feitos. Não é que os casos não tenham aumentado. Mas, junto a eles, também tem crescido a coragem das vítimas em denunciar seus agressores.
Portanto, é de suma importância que toda a sociedade não espere apenas que o poder público se movimente. Se cada um tomar para si esta responsabilidade, a sociedade como um todo avança. Não são apenas as vítimas que precisam continuar o processo de encorajamento.