Quatro adolescentes são apontados como suspeitos do assassinato de um pedreiro de 43 anos, na terça-feira à noite em Apucarana. O caso é tratado como latrocínio (roubo seguido de morte) pela polícia. Francisco de Assis morreu após um assalto a um bar no Parque industrial Norte. Uma câmera instalada no local mostra a vítima sendo atingida por um tiro após reagir aos ladrões.
O envolvimento de menores no crime chama atenção, mais uma vez. Os suspeitos foram apreendidos na quarta-feira por policiais de Arapongas. Os menores de idade foram reconhecidos nas imagens gravadas pela câmera do bar e são “velhos conhecidos” dos meios policiais da cidade. Os adolescentes são suspeitos de terem praticados outros assaltos em Arapongas e também em Apucarana.
Nas imagens, é possível ver que dois adolescentes estavam armados e um deles não titubeou em atirar contra o trabalhador.
O caso reforça o problema envolvendo os menores infratores. O tema é alvo de muito debate e polêmica no País. A participação de adolescentes em crimes vem se acentuando – e com um agravante. O latrocínio no Parque Industrial Norte reforça uma situação já revelada recentemente em reportagem da Tribuna feita a partir de dados da Promotoria de Infância e Adolescência em Apucarana: os menores infratores estão mais presentes em crimes de maior gravidade, como assaltos à mão armada, homicídios e latrocínios. Até pouco tempo, esses infratores participavam apenas de pequenos furtos e tráfico de drogas. Atualmente, no entanto, os menores participam ativamente e são protagonistas da maioria dos assassinatos. É uma situação preocupante e que exige uma reflexão das autoridades.
A solução do problema é complexa. É claro que após um crime dessa dimensão haja uma revolta e uma sensação de impunidade. É preciso analisar as questões sociais por trás desses crimes, no entanto, é fundamental também punir de forma mais rigorosa esses adolescentes envolvidos com assassinatos e latrocínios.
Infelizmente, o Paraná e o País, de modo geral, não contam com uma estrutura adequada. Faltam vagas nos centros de socioeducação, inclusive para autores de crimes desse porte. É algo inaceitável. Um menor que mata alguém em um assalto precisa ser retirado de circulação imediatamente.
A questão dos menores infratores desafia a sociedade. É indiscutível que o país não está conseguindo lidar com essa situação. A violência que parte de adolescentes, a maioria em situação social vulnerável e envolvida com drogas, é uma prova de que há um longo caminho a seguir. No entanto, é preciso encontrar alternativas mais rápidas para reduzir esses casos e combater, ao mesmo tempo, a insegurança.