A insegurança assumiu o posto de principal problema social do país. Antes restrita aos grandes centros, a violência assusta agora também os moradores de todas as cidades, de pequeno e médio porte. É preciso buscar alternativas para devolver a tranquilidade da população. A situação está fora do controle.
Nesta semana, dois latrocínios (roubos seguidos de morte) assustaram Apucarana. Um caseiro de uma chácara da Vila Reis foi morto a tiros após tentativa de assalto. Paulo Neves de Souza, de 38 anos, reagiu ao ataque dos criminosos, mas acabou baleado. O outro crime foi registrado no Parque das Araucárias, na saída para Londrina. Aparecido Rufino da Silva, de 47 anos, foi socorrer duas mulheres que gritaram por ajuda após um roubo e acabou atingido por tiros.
No entanto, se engana quem pensa que Apucarana, com cerca de 130 mil habitantes, é a cidade mais violenta da região por causa do seu porte. É Mauá da Serra, com pouco mais de 9,8 mil habitantes, que lidera o ranking de homicídios no Vale. São sete assassinatos desde janeiro. Eloir Tomás Batista, de 45 anos, foi a última vítima na quarta-feira passada. Apucarana, a título de comparação, tem quatro crimes.
A criminalidade está pulverizada. Pequenas cidades da região também são alvo de criminosos. Em Rio Bom e Cambira, por exemplo, assaltantes vem agindo em plena luz do dia. Foram oito assaltos apenas nas agências dos Correios dessas pequenas cidades, quatro em cada uma delas. Há também os casos de explosões de caixas eletrônicos no Vale. O número de ocorrências diminuiu, mas a população ainda sente-se acuada com o retrospecto de crimes dos últimos anos.
É preciso combater a criminalidade. A polícia localizou quatro suspeitos de um dos latrocínios em Apucarana. Entre os envolvidos estão dois menores, um deles, inclusive, já responde por uma tentativa de homicídio. No entanto, as prisões não são suficientes. O problema central é a impunidade. Muitos suspeitos de crimes graves não ficam presos por conta da fragilidade do sistema penitenciário e acabam liberados, voltando a praticar delitos. O tráfico de drogas, propulsor da criminalidade, ganha corpo a cada dia, cooptando menores e jovens.
A situação é dramática. É preciso tornar o combate à criminalidade uma política pública nacional, dotando as polícias de estrutura, construindo mais presídios e também tornando a legislação penal mais dura. A insegurança vivida pela população de todas as cidades não pode ser considerada natural, reflexo do mundo atual.